FIAPO DE JACA

April 29, 2008

NOVO ASTRO PORNÔ SURPREENDE O MUNDO

Uma conhecida produtora nacional de filmes pornográficos anunciou no início dessa semana o seu mais novo astro: o rinoceronte Ricky. Descoberto no zoológico da cidade mineira de Aririque, o animal já está em São Paulo para fazer os primeiros testes diante das câmeras. Segundo informações da assessoria de imprensa da produtora, Ricky até agora tem se mostrado desinibido no estúdio. “Ele é bem carinhoso, sabe tratar muito bem uma mulher, melhor que muito cara por aí. Amei o teste que fiz com ele. A nossa transa rolou numa boa, sem complicações.”, disse Sheron Créuzinha, uma das atrizes escaladas para contracenar com o novo astro.

Bem, se você conhece esse blog ou possui bom senso suficiente para interpretar um texto, já deve ter sacado - ou desconfiado, no mínimo - que essa notícia é falsa. No entanto, muita gente, ao ler qualquer texto escrito num português aparentemente correto, acaba acreditando em absurdos como o do parágrafo acima. Por pressa em fazer outras coisas ou preguiça mesmo, não se dão ao luxo de pesquisar sobre a veracidade ou não do que foi lido. No caso aqui, seria fácil descobrir a farsa, via google mesmo: não existe rinoceronte algum no zoológico mencionado, ora essa. Aliás, a cidade de Aririque, até onde eu saiba, existe somente nos meus delírios.

Publiquei há pouco tempo um post intitulado “TESTE - SERÁ QUE ELE GOSTA DE VOCÊ?“. A intenção era simples e direta: tirar um sarro desses testes que as mocinhas carentes e inseguras adoram fazer. A meu ver, isso ficou claro na forma como o tema foi desenvolvido, das alternativas aos resultados. No entanto, para minha surpresa, muita gente acabou levando a sério esse “teste”, atualmente bem cotado no google. Nos comentários, abusando de um miguxês sofrível, moças lamentam pelos resultados ali obtidos, pedindo desesperadamente que eu as ajude, como se eu fosse um guru sentimental. Claro que aproveito a ocasião pra dar uma sacaneada, de leve.

Enfim, não custa nada desconfiar de alguns absurdos que chegam tela do computador. Ou você acha que é possível, mesmo, que aconteçam coisas como orgias de rinocerontes com atrizes pornôs, enquanto o papa assina um documento liberando a masturbação? Eu, hein?

April 23, 2008

NOVE EM PONTO DA NOITE

Depois daquele orgasmo, não teve como segurar a emoção. Chorando convulsivamente, ela teve a certeza de que encontrara o homem da sua vida. Ninguém chegara perto de produzir aquilo nela, com tamanha intensidade. De modo algum poderia perder aquele cara, concluiu. Sem pensar muito, ajoelhada, fez a proposta de casamento ali mesmo, implorando pela aceitação dele. Jurou fidelidade e amor incondicional, por todo o sempre. Ele aceitou na hora. Também pudera, como poderia recusar uma proposta daquela, vinda da mulher pela qual era apaixonado desde os cinco anos de idade?

Mesmo assim, ele quis saber o que a tinha feito mudar de idéia em relação a ele. Lembrou que ela, até algumas horas atrás, o desprezava como sempre e que só aceitou transar com ele por dó, nada mais. “Tá bom, vou te dar uma chance, mas somente dessa vez, hein?” Ela estava sozinha, carente, tinha acabado de levar mais um pé na bunda de mais um cafajeste bonitinho, então, por que não? Mas, ainda tremendo de emoção, num pranto que só aumentava, ela disse que não esperava por aquele orgasmo. “Ninguém chegou perto de provocar isso em mim. NINGUÉM! Nem o Carlão, lembra?” Se nem o Carlão, que era especialista em produzir orgasmos duplos nela - algumas vezes, até triplos - fizera algo como aquilo, então a coisa era extremamente especial. Conclusão, tinha que casar com ele, o autor daquela obra-prima.

Mais tarde, enquanto faziam a lista de quem poderiam convidar para o casamento, resolveram ligar a televisão, no canal de notícias. A manchete do momento era um terremoto que acontecera naquela noite, há instantes. E justamente no momento… daquele orgasmo! Na hora, enquanto sentia aquela sensação inédita de que o chão se movera, ela fizera questão de olhar para o horário estampado no rádio-relógio: nove em ponto da noite. “Hum… então foi isso. Que coisa…”

Nos dias seguintes, de nada adiantou ele alegar que o terremoto, na verdade, fora uma reação da natureza diante da força do amor entre os dois, que nascia naquele momento. Que o epicentro não fora no oceano, mas sim no colchão em que os dois estavam. Sendo assim, era preciso que retomassem a lista do casamento. “Eu, hein?”, ela se limitava a responder, naquele zero grau na escala Richter de sempre.

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Ps: nada a ver com o texto aqui, mas ela descreveu bem algo chato que presenciamos nesse fim-de-semana. Confira lá, e aproveite pra ficar esperto diante de algumas ligações que você vier a receber…

Tuca Hernandes | Relacionamentos, Sexo | 11:30 am | Comente que eu te comento (9)

January 31, 2008

ARCEBISPO PERNAMBUCANO CRIA ALTERNATIVA À PÍLULA DO DIA SEGUINTE


O arcebispo de Meque-Meque (PE), Dom Jovelino Amorim, contrariando seus colegas de diocese, não se posicionou contra a distribuição da pílula do dia seguinte no carnaval pernambucano desse ano. “Já que o poder público mostrou-se irredutível nessa questão, nós da igreja temos que responder à altura, com criatividade, sem o desgaste de medidas judiciais.“, afirmou Dom Jovelino. Para tanto, ele fez a encomenda de milhares de cintos de castidade para serem distribuídos nesse carnaval. “Pelo menos as mulheres de Meque-Meque e região poderão tomar quantas pílulas quiserem, que, no fim das contas, não fará efeito nenhum mesmo.”

Quanto ao risco da foliã fraquejar nesses dias, livrando-se do aparato, o arcebispo diz que criou um sistema de segurança pra isso. “É simples. Todas as chaves dos cintos estarão comigo, muito bem guardadas em uma sala da paróquia. Na quarta-feira de cinzas, depois do meio-dia, eu devolverei todas elas.”

Questionado sobre o caráter contraceptivo do cinto, aparentemente contra as leis da igreja, Dom Jovelino lembra que o mesmo “foi concebido (sic) para servir de contraponto à pílula do dia seguinte, um remédio pecaminoso que funciona como uma espécie de abortivo. E seria um absurdo classificar o cinto de contraceptivo, já que o propósito dele é o de evitar a penetração, que é a principal condição para que haja o encontro do óvulo com o espermatozóide.”, esclareceu o arcebispo, que é radicalmente contra o uso da camisinha.

No carnaval passado, ele foi o responsável pela polêmica campanha “Carnaval Sem Penetração”, que, apesar de toda atenção da mídia, não provocou alterações signicativas nos índices de natalidade e de doenças sexualmente transmissíveis na região de Meque-Meque. Agora, com a idéia do cinto, ele acredita ter encontrado uma solução definitiva para “barrar os impulsos da carne que assombram essas festividades”.

As inscrições para as interessadas em usarem o cinto de castidade estão abertas desde o meio da semana passada. Até o momento, na véspera do início das festas, só uma mulher se inscreveu. Trata-se de Dona Eulália das Dores, uma senhora de 68 anos, viúva desde os 14. “Achei bem interessante essa idéia do cinto. Só vou pegar a chave depois da quaresma.”, afirmou Dona Eulália. Apesar de já não estar mais em idade reprodutiva, ela acredita que o cinto terá utilidade pra ela. “Ah, tem um vizinho meu que fica me olhando meio estranho. E, no carnaval, nunca se sabe o que pode acontecer, né?”

Fonte: Gazeta de Mucuriçoca D’Oeste

Tuca Hernandes | Sexo, Religião | 7:58 pm | Comente que eu te comento (8)

December 12, 2007

ORIGINALIDADE

Daquela vez, depois do jantar no restaurante de sempre, os dois foram pra um motel. Chique até. Também pudera, estavam comemorando cinco anos de casados. Quando entraram na suíte luxo flash style, ele pediu pra que ela ficasse na cama, deitada e de olhos fechados. Enquanto isso, se aprontaria no banheiro, levando aquela sacola misteriosa, onde estava a tal surpresa tão comentada nos dias anteriores. Alguns minutos depois, pediu pra que ela abrisse os olhos. Ele surgiu vestido de policial, segurando um par de algemas:

- Parada aí! Você está presa por roubar o meu coração! - chegou triunfante, algemando-a na cama.
- Ai, que tédio… - ela bocejou
- Pô, não gostou?
- Então é essa a grande surpresa que você preparou pra mim? É isso?
- É…
- Ai, Renato… Se vestir de policial? Francamente, que falta de criatividade, hein?
- Obrigado, hein? Vou no sex shop com o maior carinho, pensando numa fantasia que pudesse te agradar e é assim que você me agradece, é? - ele protestou, enquanto retirava a algema do punho dela.
- Você sabe que odeio esses clichês de sex shop, meu bem.
- Ok, tudo bem. Foi uma tentativa minha. Nunca mais me fantasio pra você. Se você quer só arroz com feijão, tudo bem.
- Ah, não é bem assim. Posso gostar de ver você fantasiado sim. Mas com algo mais original.
- Tá, como o quê? Me dá um exemplo aí.
- Um exemplo? Hum… De messenger. É… Taí, de messenger.
- Hein? De messenger? Tá maluca, é?
- É, você nunca viu aquela foto na internet de um cara que foi pra uma festa fantasiado de messenger?
- Acho que vi em algum e-mail que recebi…
- Então, eu acharia o máximo que você me surpreendesse nesse estilo.
- Peraí, você tá brincando, né? Não me diga que você que se excitaria comigo fantasiado de… messenger.
- Ué, por que não?
- O que isso tem de sexual?
- Ah, Renato, basta a gente usar a criatividade. A criatividade! Essa coisa que mantém a chama acesa, sabe?
- Aiai…
- Por exemplo, imagine que cada emoticon vindo de você equivaleria a um convite pra uma determinada posição. Maravilha isso, né?
- Sei, e se eu broxar, como agora, é sinal de que caiu a conexão, é isso?
- Isso, por aí. Pegou o espírito da coisa. Mas você sempre poderia se conectar a mim de novo, avisando que “acabou de entrar”. Aí, você entra em mim, literalmente, entendeu?
- Entendi…
- Convenhamos, mais interessante do que esses lugares comuns de sex shop. Policial, bombeiro, gladiador… áfe.
- Ok, ok…
- Agora, tira essa fantasia e vem pra cá, vem.

Terminaram a noite num arroz com feijão até que bem temperado. Mas, pro próximo ano, ela não perdia por esperar: iria ter uma noite inesquecível com o Youtube.

Tuca Hernandes | Sexo | 1:29 am | Comente que eu te comento (14)

November 26, 2007

RETICÊNCIAS

- Bem, eu…
- É, eu sei…
- Então, por causa disso, acredito que…
- Ah, me desculpe, mas não seria melhor você…?
- Pois é, acontece que, de alguma forma, eu fui…
- Ok, ok…
- Bem, você entende, né? É tudo questão de…
- Sim, perfeitamente. Ainda mais quando…
- Ih, lá vem você querendo desenterrar isso, mais uma vez…
- Ih, lá vem você querendo fugir disso, mais uma vez…
- Não é isso, eu apenas acho que, de alguma maneira, a gente poderia…
- Tá, tá… não precisa ficar me lembrando do óbvio, como se viver fosse apenas uma questão de…
- Não é isso, entenda, de uma vez por todas, que, se você…
- Sim, eu sei… Eu admito… Mas, saiba que, muitas vezes, a gente precisa de…
- Então, e é justamente isso que não entendo, pois…
- Tá vendo? Mais uma vez, você está fugindo do tema de nossa conversa, que é…
- Discordo… Era justamente sobre isso que eu queria falar, eu ia chegar nesse ponto, ainda mais agora, que…
- Ah, não precisa ficar dando voltas, né? Basta ir direto ao ponto, pois tudo isso, de alguma maneira…
- Concordo em parte… Afinal, eu e você…
- Bem, nem sempre… nem sempre… Todos nós sabemos que, cedo ou tarde, o mundo, do jeito que está, iria…
- Isso é óbvio, né? Mas, por um outro lado…
- Sim, sim… não nego isso… Eu sempre… sempre…
- Ah, é? Não parece, mesmo… Estou surpreso, pois, até hoje, eu achava que…
- Engano seu. Lembra… daquela vez, quando a gente…
- Nossa, eu achava que tinha ficado claro aquele nosso acordo de nunca mais voltarmos a discutir isso…
- Então, eu ainda…
- Ainda? Como assim? Minha nossa, agora, não me resta mais nada a não ser…
- Ah, não exagere, vai! Nunca foi novidade pra ninguém o fato de que eu…
- Tudo bem, eu preciso aprender mesmo a…
- Aiai… como sempre, a mesma maneira de…
- Ué, eu tenho outra alternativa, a não ser ficar aqui e…?
- Tem, ué… Basta você…
- Ah, é fácil falar… Ainda mais se considerarmos o contexto do… do… ah, você sabe!
- Nem precisa me dizer…
- Pois é, essa história a gente já sabe de cor…
- O que, por sua vez, me faz lembrar de quando a gente, um dia…
- Sério? Engraçado, eu pensei a mesma coisa… Que coincidência, não? Essa sintonia entre a gente que…
- Concordo plenamente… saiba que, apesar dos pesares, eu…
- Ah, eu também… Demais…
- Por todo o sempre, né? Mesmo se…
- Sim, principalmente isso… Mesmo se…
- Etc e tal…?
- Sim, etc e tal…

October 2, 2007

OLHA O RESPEITO!

Sabe aqueles casais que ficam quietinhos na cama, compartilhando certas maravilhas discretamente, entre gemidos tímidos e olhares que reafirmam o carinho do momento? Pois é, eles eram absolutamente o contrário de tudo isso. Entre quatro paredes, os dois gostavam de embarcar num festival de tabefes, puxões de cabelo e xingamentos mútuos. A química funcionava assim, de uma maneira até então inédita para os dois. Pelo tanto de ofensas que trocavam, em nome daquele clima apimentado, parecia que nada os ofenderia na cama. Bem, quase nada, até aquela tarde:

- Ei, pára! Pára! Aí já é demais! - ela protestou, afastando-o, tão indignada quanto uma carola diante de um bordel.
- Mas o que eu fiz??? - ele reagiu, perplexo.
- Você viu do que você me chamou, viu? Ah, tenha paciência. Pra tudo tem um limite!!! Acabou! Tchau!
- Calma, vamos conversar… O que eu falei que te deixou tão horrorizada, potranca?
- Você me chamou de… bruaca!! BRUACA!!!??? Faça-me o favor…
- E daí? - ele riu - Eu já te chamei de tanta coisa pior, ora essa… Ah, vem cá, vem… Minha bruaca…
- Êpa! Eu já falei, bruaca, não! Bruaca, não! Tá doido, é? Tudo, menos isso!
- Mas…
- Então quer dizer que só porque a gente vem fazendo tudo isso de maneira mais… mais… intensa, que você já pode ir descendo o nível, me classificando de… bruaca?!
- Não viaja…
- Bruaca, pro seu juízo, é a imbecil da sua mãe, tá bom?
- Ôpa! Peraí, não precisa ofender a minha mãe, potrancuda.
- Olha aí, tá vendo? A sua mãezinha, a santinha, não pode ser uma bruaca… Agora, eu, sem problemas… Que coisa, hein?
- Ué, mas eu não me dirigiria a minha mãe por nenhum dos nomes que chamo você aqui na cama. Nenhum. Isso é óbvio, ora essa.
- Tudo bem, já entendi. Eu não passo de uma bruaca. Áfe.
- Quanto drama, hein? A gente estava indo tão bem, eu já quase chegando lá, e precisávamos parar por causa de um nomezinho besta? Vem cá, ordinária… safada… vem.
- Sai fora…
- Mas… imagine se eu ficasse ofendido a toda vez que eu me ofendesse com algum xingamento seu, nessas horas.
- Ah, nem vem. Nem vem! Eu sigo uma ética, de nunca ultrapassar um certo limite de respeito aqui em cima da cama. Eu tenho bom senso. Vai me dizer que você já se ofendeu com algo que eu disse aqui…
- Já.
- Duvido! Você quer que eu me sinta culpada. Então, tá. O que já te deixou ofendido, por exemplo?
- Eu odeio quando você me chama de mocorongo.
- Hein?
- É isso aí. Quer saber? Mocorongo é o seu pai.
- Não fala assim do meu pai, seu… mocorongo!
- Ah, então o seu pai, aquele santinho, não pode ser um mocorongo… Agora, eu, sem problemas… Que coisa, hein?
- É diferente. Aqui na cama, eu usei esse nome dentro de um outro contexto, pra esquentar ainda mais as coisas, entende?
- Ah, você não imagina como eu fico excitado toda vez que você fala algo no estilo “Vem com tudo, mocorongo! Vem, meu mocorongão!!!” Nessas horas, você não imagina o esforço que preciso fazer pra me manter ali, na maior firmeza…
- Custava me falar na hora que isso o desagradava? Custava?
- Ok, ok… Eu devia ter falado. Olha, me desculpe por eu ter chamado você de bruaca, tudo bem? Perdão.
- Tá bom, nunca mais te chamo de mocorongo, ok?
- Certo… então volta aqui pro meu lado, volta, sua safada, cachorra…
- Hum… assim eu gosto… continua, meu sarnentão cafajeste…
- Assim, assim… salafrária, fraudadora do INSS…
- Êpa, olha o nível, MOCORONGO!!!!
- BRUACA!

Tuca Hernandes | Sexo | 8:00 am | Comente que eu te comento (12)

September 21, 2007

AS REVISTAS DO FUNDO DO ARMÁRIO

Eles estavam na sala, concentrados, assistindo um filme iraniano com legendas em alemão. Na cena em que o mocinho contemplava o deserto em câmera lenta pela enésima vez, ela levantou-se de súbito, dirigindo-se ao quarto deles. “Só pode ter ido ao banheiro”, ele imaginou. Deu um pause no filme, apesar dela não ter pedido. Na volta, uma cena inusitada: ela ali, parada na frente dele, com aquelas revistas na mão. Sim, aquelas revistas. AQUELAS. O coração disparou. E agora?

- Plínio Ricardo, você pode me explicar o que essas revistas faziam no fundo falso de seu armário? - ele deu um stop no DVD, já preparando-se para tentar explicar a situação. Tentar, ora essa.
- Olha, Célia Regina… eu… eu… bem, é isso aí…
- Isso aí o quê? Você vem acompanhando tudo isso escondido de mim, é? - ela joga todas as revistas na cara dele, inconformada, espumando de raiva.
- Bem, é isso, eu costumo ver esse tipo de coisa também, como muita gente… Eu sabia que você não aprovaria.
- Patético… patético… e eu pensando que você fosse diferente. Mas não, é como qualquer um. As mesmas carências de um típico homem de classe média. Tosco!
- Ah, também não é o fim do mundo, né? São só umas revistinhas no fim das contas… E como você as descobriu? Deu pra ficar revirando as minhas coisas agora, é?
- Descobri por acaso, Plínio Ricardo. Por acaso! Hoje de manhã, eu tinha perdido a chave do carro, e queria ver se achava a cópia, nas suas coisas. Aí, eu encontro esse monte de porcaria… 
- Não é porcaria assim, vai. Tem muita coisa aqui, nessas revistas, que dá pra se aproveitar. Você mesma pode tirar proveito.
- Eu não estou ouvindo isso! Eu não estou ouvindo isso! Você, tão culto, tão bem informado, tão… Como pode?
- Nada a ver uma coisa com a outra, Célia Regina. Posso continuar sendo tudo isso ainda. Uma coisa não anula a outra. Entenda uma coisa, eu tenho necessidade de acompanhar tudo que está nessas revistas. É meu instinto, sabe? Preciso!
- Pra quê? Pra quê? 
- Você não vê a vida que eu levo? Você acha que estou feliz com tudo isso? Não!
- Bem, não dá pra querer tudo nessa vida… E onde fica aquela sua idéia de sempre ir atrás de coisas mais elevadas, culturalmente falando?
- Não basta a gente ficar discutindo filosofia na hora da janta. É preciso ir além, ambicionar algo mais.
- Ah, e você acha que essas revistas vão servir a esse propósito? Tá bom…
- Acho! Quero ser mais prático e direto, é isso aí!
- Que ridículo, Plíno Ricardo - ela começa a folhear uma das revistas - olha isso aqui, uma matéria que dá conselhos sobre networking, de acordo com o job, tendo em vista uma gestão focada em business corporation de forma que haja um choque de gestão que resultará num upgrade da carreira!? Cruz credo! Você, lendo esse tipo de coisa???
- Ótima matéria, dicas valiosas aí.
- Não quero acreditar que você tem colecionado edições da Você S.A., Plínio Ricardo! Isso, o sistema, não tem nada a ver com você! Você é um artista. Um poeta, que tinha resolvido viver com a venda de seus livros nas filas dos teatros e dos cinemas de arte! Lembra? E isso é lindo!
- Lindo é ter dinheiro no bolso, Célia Regina… Muito dinheiro.
- Você não era assim…
- Não era, não era. Mas agora eu quero aprender coisas diferentes, sabe? Quero me libertar dessa vida de… poeta. De ficar só contemplando a beleza das coisas, aplaudindo todo pôr-de-sol bonito. Isso tem me sufocado. Eu quero mais. Quero desafios, pressões no dia-a-dia, fechar negócios, negociar comissões, traçar estratégias de marketing pra atender da melhor forma os meus clientes, aprender a trabalhar em equipe. Enfim, um target novo a cada dia. É isso aí, uma nova vida. Apertar a gravata com gosto! Liberdade!
- Mas… e os seus livros? Aquele projeto de contar a estória de Lampião e Maria Bonita através de sonetos…
- Isso é passado, baby. Resquício desse sistema poético que me oprimiu durante anos. Nunca mais. Now, I’m free. Do you know what I mean?
- Mas… e essas Caras que você coleciona também? - nessa hora, as lágrimas já eram de luto.
- Preciso de uma referência. Um padrão de vida a ambicionar. Você não tem idéia como essa revista me motiva, Célia Regina! E tem outra.
- O quê?
- Não acho justo que só você leve uma vida de executiva. Que fique me sustentando aqui. Eu também quero um MBA!
- Mas esse tinha sido o nosso acordo, Plínio Ricardo. Eu seria a provedora do lar e você, o meu poeta em tempo integral, sempre disposto a complementar a minha vida cheia de atribulações. A minha válvula de escape. O meu Fernando Pessoa.
- Poesia, poesia… cansei.
- Bem, sendo assim, perdeu o sentido o nosso relacionamento. Você tem até amanhã pra levar as suas coisas daqui.
- Peraí, também não é assim, Célia Regina. A gente pode se entender ainda e…
- É assim, sim senhor. Se não tem mais poesia, não tem mais casa, nem mesada.
- Nem mesada???
- Nem um centavo…
-…
-…
- Oh, minha musa, permita-me jogar essas revistas no lixo, pois teu amor tem um vértice de capricho, cujos lírios florescem em meu sentimento, tão inebriado quanto o mais nobre ser em seu alento.
- Ai, que liiiiindo! Amei!

July 4, 2007

AS PRIMEIRAS VEZES DOS HOMENS

Momento nostalgia, patrocinado pela Jontex. Na minha época - sim, já sou desses que, diante de certas mudanças, já posso começar uma frase assim - existiam alguns personagens que tinham participação freqüente na iniciação sexual dos meninos mais crescidos, já na adolescência. Pincei da memória alguns desses:

- A Prima De Um Amigo Da Rua: normalmente alguns anos mais velha que a molecada, essa aí gostava de dar. E muito. Os garotos da rua ficavam em polvorosa quando vinham a saber que ela viria numa determinada tarde, só pra aquilo. No entanto, nem todos tinham acesso a ela. Só os mais chegados do primo, no que devia dar, no máximo, nuns cinco felizardos. Bem, nem tão felizardos assim, uma vez que essa era normalmente feia de assustar, tanto de rosto quanto de corpo. A musa do colégio mesmo, jamais. Mas não importa, iriam transar, nem que fosse nos quinze segundos mágicos interrompidos pela ejaculação precoce. Ponto pra virilidade recém descoberta. Acabada a sessão, vinha o próximo da fila, igualmente ansioso. Alguns mais animadinhos voltavam pro fim da fila, na frente da porta do quarto dos pais do primo que, no momento, estavam fora de casa, é claro. Nunca fui convidado pra essas sessões. Nunca cheguei perto da Prima Do Amigo Da Rua. Bem, talvez ele não fosse tão amigo meu assim. Tudo bem, elas eram sempre feias de doer mesmo.

- A bezerra Zezé ou a cabra Lilica: zoofilia, isso pode ser mais comum do que você imagina, sobretudo na infância da roça. Certa vez, na hora do almoço, eu presenciei uma conversa entre a peãozada de uma fazenda. Entre uma garfada e outra na marmita, eles começaram a relembrar de suas primeiras namoradinhas, lá no sítio ou bairro do interior onde moravam. Pra minha surpresa, quase todos ali tinham se iniciado com um animal, que, invariavelemente, era uma bezerra ou uma cabra. Como nenhuma menina dava bola pra eles, aliada a uma certa timidez, o jeito era dar vazão aos hormônios junto a bicharada mesmo, que não se incomodava muito com o assédio. O mais curioso é que tudo isso ia sendo recordado com a maior naturalidade possível, vez ou outra com um brilho nos olhos, como se realmente tivessem falando de algum antigo amor do colégio. Da roda de conversa, rapaz da cidade grande, eu era o único que havia cometido a bizarrice de se iniciar com uma mulher mesmo. Preferi ficar calado.

- A Prima, mesmo: certos primos e primas crescem numa intimidade fofinha, sempre juntos, sob o olhar carinhoso dos pais, que, de alguma forma, sentem que ali está a continuação da família. No entanto, lá perto da adolescência, o contato constante passa a sugerir outras brincadeiras, num choque de hormônios que deixa as bonecas e os carrinhos em segundo plano. Em grande parte dos casos, não passa de uma fase, nada além da primeira base, com cada qual preferindo investir em certas intimidades com alguém fora do círculo familiar mesmo. Em outros, passam da primeira base, percorrendo todo o percurso, que, muitas vezes, vai resultar, depois de anos, numa séria conversa com o resto da família, mais do que desconfiada com aquelas escapadas nos natais, aniversários, etc…

- Shéron, a prostituta: pra um adolescente que tem ereções instantâneas diante certas capas de revista, a possibilidade de, mediante alguns trocados, conferir de perto a pele e tudo mais de uma mulher é mais do que tentadora. Ideal pros mais ansiosos, principalmente pra aqueles que recebem uma boa mesada. Economizam no lanche do colégio pra, no fim do mês, passarem uns bons minutos naquela casinha lá da esquina. Moro numa região que possui várias dessas casas, discretas. Na hora do almoço, é um entra e sai frenético de moleques com roupa do colégio, adolescentes na faixa dos quinze a dezoito anos. É bem capaz que muitos desses tenham as suas namoradinhas, que transem até com elas. Mas as coitadinhas provavelmente não fazem como a Shéron. E, pra muitos, se fizerem, é fim do namoro, no ato. Que negócio é esse?

- A namoradinha: no início, ela nega uma intimidade maior. O passeio das mãos sobre aquela pele tem limites, no que ela deixa bem claro naquele olhar de leve censura, enquanto os dedos do rapaz são afastados pra uma região menos sensível, como o cotovelo. Mas, conforme o tempo vai passando, ela começa a considerar, inconscientemente, a queda dos vários muros sobre ela, afinal aquele é um cara legal. E de confiança, principalmente. E assim, num belo dia, tudo é conquistado, num intercâmbio que vicia os dois lados. É a melhor das iniciações, pois possibilita um compartilhamento contínuo e crescente da intimidade, sem a pressa bruta da Prima Do Amigo Da Rua, da bizarrice da bezerra Zezé e da cabra Lilica, do tesão dissimulado da prostituta Shéron, dos encontros afobados com a prima, mesmo. Feliz daquele que teve, lá no início, a namoradinha. Fui um desses.

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E que tal:

Tuca Hernandes | Sexo, Memórias | 11:22 am | Comente que eu te comento (6)

May 28, 2007

O AMOR NOS TEMPOS DA WEB 2.0


Aquilo foi demais. Decepção era uma palavra que não media o que ele sentia no momento. Era mais do que isso, bem mais. Muita vergonha também. Até voltou a roer suas unhas, algo que não fazia há cinco anos. Se pudesse, desapareceria, iria pra um outro país, teria uma outra identidade, se submeteria a uma plástica pra ganhar um rosto novo, essas coisas. Mas como nada disso seria possível, e ele continuaria nessa vida como o Mílton da contabilidade mesmo, resolveu ligar pra ela:

- Alô?
- Oi Natália.
- Oiiiii Fófis! Que voz mais tristinha é essa? Não tem a ver com o que aconteceu ontem, né?
- Tem…
- Ah Fófis… Eu já te disse pra desencanar disso. Acontece. Todo namorado que tive já broxou e…
- Tá, mas precisava relatar isso no seu blog? Olha essa passagem aqui, no post de hoje: “Geeeente, eu lá, toda animadenha, na caminha fófenha, esperando pelo meu garanhão e kd? Kd? Meeeeeu, o cara broxou!!!! B-R-O-X-O-U! Rellouuuu, vai um Viagrenha aí, Fófis??? Meeeeu, ninguém merece… Que papelão, hein, Sr Mílton de Souza Garcia, filho da Dona Eulália e do seu César. Huhauhauhauhauhauha
- Ah Fófis, relax baby, foi só um post…
- Ah sim, e que já deu mais de 200 comentários. Eu já te disse que o pessoal aqui do escritório sabe que a minha namorada tem um blog, né? Os meus amigos, a minha família… E aí? Como fico nisso tudo?
- Mas Fófis… você tem que entender que nada como um post após o outro. Semana passada, por exemplo. Eu fiz um post dizendo que você era o melhor namorado do mundo, cheio de estrelinhas brilhando e fotenhas da Hello Kittys ao redor dele, lembra? Então…
- Sim, mas que teve só 3 comentários. Ou seja, ninguém deu bola. Agora, você tem que entender que textos como o de hoje chamam bastante a atenção do pessoal, durante muito tempo. Pra você ter uma idéia, já peguei gente aqui imprimindo esse maldito texto. Você tem idéia do que isso significa? Tem?
- Ai Fófis… Não era a minha intenção te prejudicar… Desculpa… Você sabe, né? Eu tenho essa mania de colocar tudo lá no meu blog… Isso vem bem antes da gente se conhecer… Aiai… O que posso fazer pra tentar consertar?
- Bem, já que o estrago está feito, a notícia foi divulgada, escreva um outro post dizendo o porquê de eu ter broxado, falando que isso nunca me aconteceu, que foi por causa da bebida, do cansaço, dos problemas aqui no trabalho, essas coisas… Que você me entende… Pode ser?
- Ok Fófis…
- Capricha, hein?

Meia hora depois:

- Alô?
- PORRA, NATÁLIA!!!
- Nossa Fófis… calma, que foi?
- Você simplesmente colocou no seu blog o diálogo que a gente teve agora há pouco!!! Com todos os detalhes. TÁ DOIDA, É???
- Ai Fófis… É que achei tão bizarra a nossa conversa que não tinha como aquilo não virar um post… Desculpa, foi mais forte que eu…
- O que eu faço com você? Me diz. Vai se tratar, sua maluca! Se bobear, comprou até um gravador pra registrar qualquer conversa sua comigo…
- Ué, como você sabe?
- …
- Alô? Fófis? Alô?
- ….

Horas depois, o post que relatava o fim do namoro mostrou-se um sucesso. No espaço de um dia, ganhou mais de 500 comentários. A maioria, de caras pedindo o msn dela. Também pudera, o link que ela colocou pro fotolog mostrava aquelas fotos dela só de lingerie, em poses de chacrete no cio, sensacionais. E que até então não tinham sido publicadas em respeito ao broxa…

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E que tal:

Tuca Hernandes | Blogs, Relacionamentos, Sexo | 12:15 pm | Comente que eu te comento (10)

May 17, 2007

O NÚMERO DOIS

Sem dúvida alguma, a noite anterior fora inesquecível pra ele, dessas pra serem lembradas eternamente com um sorrisinho meio besta. Chegou a se imaginar bem velhinho, centenário, rodeado por netos, bisnetos e tataranetos, com aquela cara de satisfação avisando que a vida, sim, teve lá os seus momentos incríveis, como o que estava vivendo agora. E assim, debaixo da ducha quente, naquela manhã, ele ia relembrando tudo que vivera ao lado dela, horas antes. “Ah, Wanda…”- era o que ele não parava de balbuciar alegremente, enquanto a água do banho passeava pelo corpo mais do que satisfeito. Que noite! A primeira deles. Teve vontade de cantar, mas preferiu continuar com seu mantra bem baixinho – “Ah, Wanda…” –, uma vez que não queria acordá-la, no quarto ao lado. Devia estar exausta, como ele. Mesmo assim, deixou a porta do banheiro encostada, na esperança dela vir a compartilhar a ducha com ele, naquele tempo extra das manhãs que só os grandes amantes sabem aproveitar.

Quando ele já estava prestes a desligar a ducha, ela entrou no banheiro. Ótimo. “Ah, Wanda…”

Com a ponta do dedo indicador, ele deu uma leve esfregada na superfície embaçada do box, de forma que pudesse vislumbrar aquele corpo nu que, definitivamente… “Ah, Wanda…”. Considerou que estava vivendo uma sensação quem sabe parecida com aquela que muitas astronautas vivenciaram ao olharem pra Terra, direto do espaço. Maravilhado. Isso explica a ansiedade que tomou conta dele naqueles segundos compreendidos no caminhar dela, da porta ao box. Definitivamente, estava pronto pra mais uma, duas, três, o que fosse. Mas ela parou no meio, sentando no vaso sanitário. Preguiçosamente.

Bem, não era exatamente o que ele tinha em mente. Das imagens futuras que reservou pra si, aquela não constava no acervo particular do encanto arquivado. Mas tudo bem, coisas de mulher. Coisas de bexiga feminina. Se quisesse perfeição, feito nos roteiros dos filmes mais adocicados, teria que abdicar de todo e qualquer relacionamento, ponderou. Ok. Mesmo assim, não conseguiu encarar com naturalidade aquele certo tipo de intimidade, logo na primeira manhã dos dois. Autêntica, ela era dessas mulheres que falavam tudo que vinha na cabeça, agindo sem se importar com a opinião alheia. Gostou, maravilha. Se não, passar bem. Mas aí, convenhamos, era autenticidade demais. Um soco no estômago da sutileza que havia entre os dois, sem dúvida alguma. Mas tudo bem. Dos males, o menor. Que a manhã, continuasse no seu rumo, mais do que promissor. Que a bexiga fosse esvaziada então. Carpe diem.

- Bom dia, Di… – ela quebrou o silêncio, o chamando daquele modo carinhoso pela primeira vez, no meio de um bocejo. “Diogo” já era coisa do passado, quando ainda não eram íntimos.
- Bom dia… Vem pra cá, vem… – ele sugeriu, já perdoando o suposto deslize dela. A vida era curta demais para se preocupar com bobagens, ora essa.
- Agora?
- É, nesse momento. Vem… – ele abriu o box, bem animado. Ela continuava sentada ali, sem menção de sair.
- Ah, agora não vai dar, Di…
- Por que?
- Porque eu estou fazendo o… número dois…
- É? – de súbito, sentiu um certo pânico.
- É. Não tem problema, né? – ela perguntou calmamente, como um alguém que interroga o anfitrião sobre uma banalidade qualquer.
- Ah, não. Imagina. Fique à vontade. – fechou o box, tentando se convencer, de uma vez por todas, que estava com uma mulher autêntica. Autêntica!
- Ai Di… você é um fofo, sabia?

E agora? Em questão de instantes, aquele paraíso tornara-se uma câmara de torturas. Queria sair correndo dali, mas não conseguia. A perplexidade o havia deixado paralisado. Pôxa, esvaziamento de bexiga, tudo bem… mas, aquilo??? Aquilo??? Uma voz, vinda lá da consciência, disse pra ele que mulheres, a Wanda inclusive, fazem essas coisas também, ora essa. Qual o problema? O problema, disse uma outra voz, era que havia um certo código de conduta que regulava os relacionamentos. Nesse, enquanto um estivesse tomando banho, nada do outro usar o banheiro. Sobretudo quando se tratasse do controverso número dois. Jamais, nem na primeira manhã, nem nas Bodas de Ouro. As exceções deviam ser raríssimas, por motivos muito bem justificados, o que não era o caso daquela manhã. “Bobagem, deixe de frescura”, retrucou a outra voz. No fim, concluiu que aquela seria a última manhã ao lado dela. Não dava mais, algo ali fora violentado, lamentou. Voltaria pra ex-namorada, ponto final. “Ah, Wanda!!!”

- Prontinho! – disse ela, logo depois de dar a descarga, dirigindo-se ao box. Enfim, uma ducha!

Meia hora depois, já no quarto, enquanto colocava a roupa, ela especulava sobre o quê acontecera pra surpreendê-lo tão desanimado daquele jeito, no banho entre os dois. Tentara de tudo e nada de reencontrar aquela potência da noite anterior. Ele parecia frio, distante, sei lá. Calado na maior parte do tempo. Tinha uma forte suspeita do porquê disso, quase uma certeza. Talvez estivesse forçando demais a intimidade entre os dois. Isso poderia estar assustando o coitado, que tinha acabado de sair de um relacionamento de anos. É isso. Se quisesse ter um futuro nesse relacionamento, pelo menos nesse início, teria que parar imediatamente com esse negócio de chamá-lo de “Di”.

“Ah, Diogo…”

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E que tal:

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