Uma conhecida produtora nacional de filmes pornográficos anunciou no início dessa semana o seu mais novo astro: o rinoceronte Ricky. Descoberto no zoológico da cidade mineira de Aririque, o animal já está em São Paulo para fazer os primeiros testes diante das câmeras. Segundo informações da assessoria de imprensa da produtora, Ricky até agora tem se mostrado desinibido no estúdio. “Ele é bem carinhoso, sabe tratar muito bem uma mulher, melhor que muito cara por aí. Amei o teste que fiz com ele. A nossa transa rolou numa boa, sem complicações.”, disse Sheron Créuzinha, uma das atrizes escaladas para contracenar com o novo astro.
Bem, se você conhece esse blog ou possui bom senso suficiente para interpretar um texto, já deve ter sacado - ou desconfiado, no mínimo - que essa notícia é falsa. No entanto, muita gente, ao ler qualquer texto escrito num português aparentemente correto, acaba acreditando em absurdos como o do parágrafo acima. Por pressa em fazer outras coisas ou preguiça mesmo, não se dão ao luxo de pesquisar sobre a veracidade ou não do que foi lido. No caso aqui, seria fácil descobrir a farsa, via google mesmo: não existe rinoceronte algum no zoológico mencionado, ora essa. Aliás, a cidade de Aririque, até onde eu saiba, existe somente nos meus delírios.
Publiquei há pouco tempo um post intitulado “TESTE - SERÁ QUE ELE GOSTA DE VOCÊ?“. A intenção era simples e direta: tirar um sarro desses testes que as mocinhas carentes e inseguras adoram fazer. A meu ver, isso ficou claro na forma como o tema foi desenvolvido, das alternativas aos resultados. No entanto, para minha surpresa, muita gente acabou levando a sério esse “teste”, atualmente bem cotado no google. Nos comentários, abusando de um miguxês sofrível, moças lamentam pelos resultados ali obtidos, pedindo desesperadamente que eu as ajude, como se eu fosse um guru sentimental. Claro que aproveito a ocasião pra dar uma sacaneada, de leve.
Enfim, não custa nada desconfiar de alguns absurdos que chegam tela do computador. Ou você acha que é possível, mesmo, que aconteçam coisas como orgias de rinocerontes com atrizes pornôs, enquanto o papa assina um documento liberando a masturbação? Eu, hein?
Nesse fim de semana vi uma das declarações de amor mais desconcertantes que alguém pode fazer por meio de uma tatuagem. Rapaz de coragem esse. Se ele trazia na pele um desses desenhos onde o nome da amada fica dentro de um coração? Que nada. Nenhuma referência à Fulana alguma. Como assim? O amor dele mirava outra coisa: dinheiro. O cara tinha um baita cifrão ($) tatuado nele. Em uma das bochechas. O que pode levar uma pessoa a esse ponto?
Fiquei imaginando se ele fazia parte de algum culto neo-liberal, onde o Deus Dinheiro, por intermédio de seus apóstolos do mercado financeiro, orientava seus seguidores a sempre realizarem boas ações. Ações essas que, uma vez valorizadas, seriam revendidas por, no mínimo, o triplo do preço. Aqui, “Deus lhe pague” teria um sentido mais amplo ainda. E os mais fanáticos seriam capazes de atos extremos pra demonstrarem ao mundo a sua devoção, como o rapaz que tatuou o cifrão na bochecha, símbolo aqui equivalente a cruz no cristianismo.
Caso a Igreja da Graça Monetária existisse mesmo, seria uma das mais sinceras. Afinal, a maioria das religiões que surgem por aí têm na verdade o dinheiro como razão pra captar fiéis. Falta de grana figura dentre as 3 principais razões pra pessoa virar religiosa, do nada. As outras duas são doença grave e dor-de-corno. Grande parte dos fiéis enxerga Deus como uma espécie de agiota que vai liberar aquele dinheirinho em troca de uma promessinha aqui ou ali. Não têm coragem de ir direto ao ponto, adorando o que de fato interessa – dinheiro – ao invés de deixarem a religião somente pra quem tem espiritualidade mesmo.
Mas quanto ao rapaz da bochecha tatuada com o cifrão, talvez ele tenha que usar um pouco mais de fé pra ser uma ovelha privilegiada do rebanho. Pois, ao se julgar pelas roupas dele, deitado em cima de um papelão na calçada, devia ser um mendigo ou algo parecido com isso. Uma imagem que não agradaria nem um pouco ao papa dele, Bill Gates.
Descobrir-se adulto pode ser desconcertante. Ainda mais em casos como o meu, onde percebi não ter alcançado nem 10% daquilo que eu imaginava vir a possuir nas minhas projeções de muitos anos atrás. Há um raciocínio muito simples na infância, segundo o qual basta ir crescendo pra tudo de bom ir aparecendo naturalmente, enquanto apara-se a barba. Um bom emprego, casa, carro, casamento, viagens pro exterior, o que for, tudo vinculado a apenas ser adulto. Os anos passariam, e a vida iria nos ajeitando, nos moldando aos dias que seguem conforme as oportunidades que todo adulto tem, ora essa. Sem grandes estresses. Sem grandes contratempos ou contracheques. Que nada. Olha eu aqui. No entanto, tenho uma esperança: não fui uma criança prodígio. Não fui amaldiçoado.
Como assim?
Crianças prodígios dificilmente continuam com a série de grandes feitos na fase adulta. Viram, via de regra, criançonas desinteressantes, de obras medíocres, condenadas ao ostracismo de uma vida sem muitas perspectivas, restando o saudosismo daqueles dias gloriosos de muitos anos e hormônios atrás. Se algum filho meu vier a ser um ídolo aos 5 anos, como o Jordy, por exemplo, ficarei preocupadíssimo. Afinal, muita estrela cedo demais é quase que uma maldição. Ok, pode-se ganhar uma grana, boa demais até. Mas, e quanto ao futuro adulto? Eu preferiria ter um filho sossegado - nem o primeiro, nem o último da classe dele - que, a partir dos hormônios da adolescência, torna-se um adulto confiante e carismático, superstar na área dele. O contrário, dispenso.
Vamos então ao primeiro da série de exemplos clássicos de crianças prodígios:
Capítulo de Hoje: Macaulay Culkin
O auge: dos dez até uns 13 anos foi uma espécie de queridinho de Hollywood, graças aos filmes “Esqueceram de Mim 1 e 2“. Lucrou o quanto pode nos poucos anos de auge, ficando milionário por causa dos cachês estratosféricos pagos a ele nesse tempo. Virou o protótipo da criança alto astral e esperta, um quase-anão que tem tudo sob controle, deixa comigo. Antes de sumir, estrelou filmes pateticamente comerciais, desses que os produtores colocam roteiristas com QI de macaco lesado para desenvolverem uma “história”, crentes de que bastaria um ator popular, fofinho e esperto, pra garantir mais um lucro recorde. Se deram mal. Bem feito. A decadência: essa veio junto com as primeiras espinhas, como é comum nesses casos. Ficou feio e com voz grossa (malditos hormônios!), ou seja, comercialmente dispensável. Mas ainda assim, continuou amigo do Michael Jackson, fato que o fez testemunhar, a favor, no julgamento do cantor, pouco tempo atrás. Pra piorar, os pais separaram-se durante a época do auge, brigando desde então pelo controle dos milhões de dólares que o filhão havia ganho. Barraco público. Mesmo assim, casou-se aos 17 anos com uma namoradinha. Separaram-se uns dois anos depois, é claro. Por onde anda: não se aposentou de vez. Continua participando de filmes sem muito destaque, muitos no circuito independente. Adulto, seu rosto adquiriu uma feição estranha, de traços tortos, perto do disforme, longe da carinha de anjo da época de “Esqueceram de Mim” (título, aliás, que vivem usando pra resumirem o estado atual da carreira dele, uma das piadinhas mais manjadas de Hollywood). Deve continuar milionário. Sem glórias. Mas, ainda assim, milionário, ora essa.
Muita gente já comentou por aí a respeito do tal iPhone, como foi o caso do Rodrigo Ghedin e do Marmota. Meio mundo já sabe que o trequinho funciona como telefone, player de música, e navegador de internet. Mas… e dai? Só isso??? Ooooh… grande coisa… Até aí, não me convenceu. Mas, depois de assistir ao vídeo abaixo, um comercial sobre o aparelhinho, comecei a reavaliar os meus conceitos sobre ter ou não um iPhone. Ok, eu concordo. É revolucionário sim:
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Como foi o Rodrigo Ghedin que me pediu pra executar essa tarefa, reuni todas as minhas forças pra finalmente redigir esse post, deixando um pouco de lado a típica preguiça de janeiro que me tem acompanhado sem tréguas. Ele pediu para que eu e mais quatro blogueiros - dentre esses, a minha namorada – listássemos, em forma de post, cinco metas para 2007. Após 2 minutos e 17 segundos de profunda reflexão, escolhi as minhas cinco metas, cada uma acompanhada por um vídeo revelador, de forma que a idéia ganhe um compreendimento maior ainda. Então, vamos lá:
1 – Prestigiar mais a cultura nacional
Culturalmente falando, sou um brasileiro muito do fajuto. Tenho aquela mania de olhar com mais simpatia pra tudo aquilo que é produzido fora daqui, lá do primeiro mundo. Filmes, músicas, literatura, o que for. Isso não pode continuar assim, uma vez que sinto a necessidade de interagir com o mundo que me rodeia, parando de desprezar o que as pessoas de minha pátria andam produzindo. O vídeo abaixo, trecho de um interessantíssimo filme nacional, já dá mostras do que encontrarei pela frente, nessa saga em busca de minha identidade brasileira:
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2 – Não deixar que façam lavagem cerebral em mim.
Certas pessoas acabam mudando radicalmente de comportamento por conta da necessidade de adaptarem a um ambiente. Já conheci indivíduos que, por causa de um novo emprego, acabam virando robôs, programados para pensar somente com base nos manuais de conduta da empresa ou corporação. Vinte e quatro horas por dia, nessa ilusão que enfim encontraram um sentido pra vida, até a próxima reestruturação da empresa. Resumindo, viram chatos de um assunto só. Nesse ano de promessas profissionais significativas, espero não ter que me amparar em muleta alguma pra ganhar dinheiro ou paz espiritual. Não quero gritar “Aleluia” pra qualquer frase de efeito emitida na minha direção, como fazem os fiéis que ouvem a Menina Pastora:
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Como complemento, após esse vídeo, não deixem de conferir o surpreendente e inigualável Menino Pastorinho.
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3 – Procurar rir menos dos outros
Confesso que não sou lá muito respeitoso com quem exibe algo que destoa do convencional. Basta eu ver na rua alguém com uma roupa bizarra, por exemplo, que eu vou logo emendando um comentário na forma de piadinha, revelando a minha intolerância pequeno-burguesa. Pra alguém teoricamente bem esclarecido feito eu, isso não é legal. Se vejo alguém com um cabelo todo colorido, ao invés de respeitar a opção de estilo, solto algo do tipo “Ih, esse aí é um cruzamento de arara com humano.” Indo ladeira abaixo, esse meu comportamento continua até nos casos onde a pessoa possui uma particularidade que ela não pediu que existisse. Se percebo que alguém tem vozinha fina, por exemplo, fico me segurando pra não rir na frente dela. Tenho que entender que as pessoas são o que são e ponto final. Se eu continuar assim, a tendência é de um dia eu reagir feito o cara do vídeo a seguir:
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4 – Prestar mais atenção aos perigos dessa vida
Vinícius de Moraes afirmou, na forma de poema e canção, que são demais os perigos dessa vida. Concordo. No ano que começa, espero ser mais atencioso por onde ando. Se houver fracassos, que eu saiba o porquê de estar tropeçando. No caso de sucessos, devo tomar bastante cuidado com a minha estadia no topo, pois sei que quanto maior a altura, maior a queda. Humildade, acima de tudo. No mais, nesse ano, devo continuar prestando atenção em meus passos, pra não colecionar micos como o cara do vídeo abaixo:
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5 – Retomar o meu lado cantor-de-banda-de-rock
Em meados do ano passado resolvi cair fora do São Rock, banda onde eu era cantor e sex symbol. Eu estava desmotivado com o ritmo de lesma paraplégica que a banda apresentava, sem espaço pra novidades, naquele repertório tão previsível quanto menu de McDonald’s. Agora, início de 2007, estou em um novo projeto, junto com o guitarrista que também saiu fora da SR, começando a ensaiar pra quem sabe animar o povo como o rapazinho do vídeo a seguir. Por aí, mas sem dublagem, é claro.
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Ok, ok… Como muitos de vocês devem ter percebido, o tema desse post, das metas, foi uma desculpa vergonhosa pra que eu mostrasse esses vídeos, alguns deles velhos conhecidos na internet, mesmo antes até do You Tube. Mas… metas? Dessas claras, objetivas e executáveis? Confesso que não consegui pensar nisso ainda… Ô preguiça de janeiro…
O Prêmio IgNobel foi criado pra ridicularizar cientistas e intelectuais que geraram conhecimentos inúteis através de abordagens bizarras. É uma sátira ao Prêmio Nobel. Se pensarmos com carinho e paciência a respeito dos agraciados desse ano, podemos concluir que muitas das escolhas foram injustas, o que me faz aproveitar o espaço aqui para contestar cinco desses prêmios que, ao meu ver, são dignos de um Nobel, isso sim:
Medicina: Autor: Francis M. Fesmire (EUA). Tratou soluços com “massagem digital no reto”.
É a famosa massagem arretada. Esse experimento provou, de maneira definitiva, que o susto cura o soluço. Na primeira dedada, a maioria voltava à normalidade quase que de imediato. Misteriosamente, a nova técnica só não foi bem sucedida com os voluntários oriundos das cidades de Campinas e Pelotas. Nesses, o soluço demorava bem mais pra ir embora, sendo preciso um tempo adicional de massagem. Algo em torno de dez horas.
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Paz: Howard Staleton (País de Gales). Inventou um dispositivo sonoro repelente de adolescentes.
Como alguém pode ridicularizar tamanha invenção? Como? Um troço genial desses seria perfeito pra ocasiões onde se queira um ambiente de paz. Ao emitir continuamente canções de melodias bonitas e letras inteligentes, o dispositivo revelou-se um sucesso pra espantar a maioria dos adolescentes. Algumas escolas já vêm estudando o uso do dispositivo para acionamento ao término do recreio, de forma que os jovens voltem rapidamente pras salas de aula, ao invés de ficarem enrolando no pátio.
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Ornitologia: Ivan R. Schwab (EUA). Explicou por que pica-paus não sentem dor de cabeça.
Por não terem contas pra pagar, tampouco capacidade de compreensão diante daquela piadinha besta que pergunta o resultado do cruzamento de um quero-quero com um pica-pau, essas aves vivem felizes por aí. E mesmo que fiquem martelando o bico direto nas árvores, com a cabeça pra lá e pra cá feito dedo de telegrafista – ou homem-britadeira transando - , nada estressa o pica-pau. Tudo azul, sempre. Tudo madeira. Esse experimento, de alguma forma, nos ajudaria a entender melhor do porquê da enxaqueca humana, em grande parte gerada pela nossa incapacidade de encarar a vida sob um viés mais leve. Conclui-se que temos muito a aprender com o pica-pau.
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Biologia: Bart Knols e Ruurd de Jong (Holanda). Mostraram que a fêmea do mosquito da malária é igualmente atraída por cheiro de queijo limburger e por chulé.
A constatação desse trabalho, patrocinado pela Nike, será um motivo a mais para que muitos desistam da idéia de tirar os sapatos em público. Só por esse enorme serviço à saúde olfativa mundial, merece ganhar o verdadeiro Prêmio Nobel de Biologia.
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Acústica: Lynn Halpern, Ranolph Blake e James Hillenbrand (EUA). Explicaram por que som de unhas arranhando lousa irrita.
Já passei madrugadas em claro tentando em vão compreender a razão desse som me irritar tanto assim. Agora eu posso dormir tranqüilo, tendo como trilha sonora uma sinfonia de unhas arranhando a lousa. Tudo que não tem explicação me irrita. Esse trabalho ultra-científico provou que o som de unhas arranhando lousa irrita as pessoas pelo fato de ser gerado pelo contato da unha com a lousa, gerando então um irritante som de unha arranhando a lousa.
É bem interessante como certas pessoas mudam de aparência e comportamento no espaço de poucos anos. Vejam o caso do vídeo abaixo, onde o Jim Morrison aparece em sua fase pré-Doors, no início dos anos 60. Assistindo-o desavisadamente, é difícil imaginar que esse rapaz caretinha - camisa pra dentro, fala ingênua e cabelo comportadinho - viria se tornar naquele Jim Morrison contestador-piradão com o qual nos acostumamos. Enfim, mais uma das coisas que só o You Tube pode trazer pra você…
Se o vídeo não está abrindo, tente vê-lo por aqui ou aqui.