FIAPO DE JACA

May 22, 2008

FIAPO DE JACA NA REVISTA PAPO DE HOMEM

Dois homens conversam sobre a micareta do dia anterior. Estão animadíssimos, pois beijaram todas, até a língua ficar inchada. No entanto, um deles resolve olhar esse sucesso por uma outra ótica…

Bem, se você quiser saber o desenrolar dessa conversa, dê uma conferida no meu texto inédito lá na Revista Papo Homem: Salivas.

No mais, tomara que você não se identifique com os personagens da história…

Tuca Hernandes | Comportamento, Amizade | 11:38 pm | Comente que eu te comento (3)

February 7, 2008

SÓ NA CASA DO PEDRINHO



Toca a campainha de madrugada. Só pode ser o Betão, mais uma vez, concluem os dois, enquanto despertam a contragosto. Dessa vez, os toques são insistentes. Aquilo tinha que acabar, decretou ela, mal humorada, esfregando os olhos:

- Pedro, não abre! Não abre! Deixa esse infeliz lá fora. PUTAQUEPARIU!!! MANOCU, VIU?
- Mas amor… Já te expliquei mais de mil vezes, pô. Ele tem um problema que…
- Eu sei, eu sei! Que ele só consegue fazer cocô na sua casa. E que isso vem desde a infância, blábláblá. - enquanto isso, podia-se ouvir da rua o amigo gritando, em tom de chôro, “Pedrinho! Pedrinhooooo!!! Abre logo, véio! Perdi a chave!!!”
- Peraí amor, já volto. A coisa tá feia. Deve ser desarranjo intestinal, coitado.

Segundos depois, entra o Betão no quarto, suando frio, correndo direto pro banheiro da suíte. Só teve tempo de dizer, tremendo, “Opa, belezinha aí, Bianca?”. O desespero era tanto que acabou deixando a porta entreaberta.

Aquilo era demais. No banheiro da suíte? Ah não! Ela fez sinal pro marido ir pra sala. Teriam uma conversa definitiva. Não aguentava mais. Tudo tinha um limite:

- Pedro, que palhaçada é essa? No nosso banheiro???
- Então amor, esqueci de te avisar… O banheiro do Betão, digo, das visitas, tá com um problema na descarga que…
- Ele que se vire pra consertar, ora essa!
- Calma, Bia. Calma…
- Como calma? Não é a primeira vez que esse cara acorda a gente de madrugada, pelo mesmo motivo. É muito desaforo, viu? Já perdi a conta das cópias das chaves que fizemos pra ele. Folgado!
- Você sabe que, se eu pudesse, eu agiria diferente.
- Então aja, ora essa! Seja homem uma vez na vida pelo menos! Vai lá e fala pro SEU amigo que essa é a última vez. A última! Se for pra entrar aqui, que seja como um amigo normal!
- Não posso.
- Frouxo!
- Você sabe que eu devo uma nota preta pra ele, amor. Não posso dificultar as coisas. Devo pra esse cara desde a infância… A dívida não pára de crescer. Tudo começou com umas moedas que ele me emprestou pra comprar balas e…
- Tá bom, tá bom. Não precisa me explicar toda a história pela milésima vez. Somos reféns desse… desse… cagão!
- Shhh!!! Fala baixo, que ele já terminou e vem vindo pra cá… E aí, Betão? Mais aliviado?

Ah, agora sim, ele podia falar com mais calma, sorrindo enquanto ajeitava a calça:

- Rapaz, nem me fale… Hoje eu encarei um acarajé mais apimentado que de costume. A coisa tava braba! E… e… putz, peraí… - correu de novo pro banheiro, desesperado.

Nem era preciso ser adivinho para concluir que, diante dos fatos, o Betão teria que passar a noite ali mesmo, como acontecera tantas vezes. Conformados, os dois foram para o sofá, liberando a suíte pro amigo, que resolveu avisar a esposa que não dormiria em casa. Quando já estavam quase pegando no sono novamente, um berro lá do banheiro quebrou o silêncio da casa:

- Pedrinhoooo!!!
- Faaaala Betão!
- Cadê aquela parada que deixa o banheiro mais perfumado, porra???

Tuca Hernandes | Comportamento, Amizade | 8:30 pm | Comente que eu te comento (6)

November 26, 2007

RETICÊNCIAS

- Bem, eu…
- É, eu sei…
- Então, por causa disso, acredito que…
- Ah, me desculpe, mas não seria melhor você…?
- Pois é, acontece que, de alguma forma, eu fui…
- Ok, ok…
- Bem, você entende, né? É tudo questão de…
- Sim, perfeitamente. Ainda mais quando…
- Ih, lá vem você querendo desenterrar isso, mais uma vez…
- Ih, lá vem você querendo fugir disso, mais uma vez…
- Não é isso, eu apenas acho que, de alguma maneira, a gente poderia…
- Tá, tá… não precisa ficar me lembrando do óbvio, como se viver fosse apenas uma questão de…
- Não é isso, entenda, de uma vez por todas, que, se você…
- Sim, eu sei… Eu admito… Mas, saiba que, muitas vezes, a gente precisa de…
- Então, e é justamente isso que não entendo, pois…
- Tá vendo? Mais uma vez, você está fugindo do tema de nossa conversa, que é…
- Discordo… Era justamente sobre isso que eu queria falar, eu ia chegar nesse ponto, ainda mais agora, que…
- Ah, não precisa ficar dando voltas, né? Basta ir direto ao ponto, pois tudo isso, de alguma maneira…
- Concordo em parte… Afinal, eu e você…
- Bem, nem sempre… nem sempre… Todos nós sabemos que, cedo ou tarde, o mundo, do jeito que está, iria…
- Isso é óbvio, né? Mas, por um outro lado…
- Sim, sim… não nego isso… Eu sempre… sempre…
- Ah, é? Não parece, mesmo… Estou surpreso, pois, até hoje, eu achava que…
- Engano seu. Lembra… daquela vez, quando a gente…
- Nossa, eu achava que tinha ficado claro aquele nosso acordo de nunca mais voltarmos a discutir isso…
- Então, eu ainda…
- Ainda? Como assim? Minha nossa, agora, não me resta mais nada a não ser…
- Ah, não exagere, vai! Nunca foi novidade pra ninguém o fato de que eu…
- Tudo bem, eu preciso aprender mesmo a…
- Aiai… como sempre, a mesma maneira de…
- Ué, eu tenho outra alternativa, a não ser ficar aqui e…?
- Tem, ué… Basta você…
- Ah, é fácil falar… Ainda mais se considerarmos o contexto do… do… ah, você sabe!
- Nem precisa me dizer…
- Pois é, essa história a gente já sabe de cor…
- O que, por sua vez, me faz lembrar de quando a gente, um dia…
- Sério? Engraçado, eu pensei a mesma coisa… Que coincidência, não? Essa sintonia entre a gente que…
- Concordo plenamente… saiba que, apesar dos pesares, eu…
- Ah, eu também… Demais…
- Por todo o sempre, né? Mesmo se…
- Sim, principalmente isso… Mesmo se…
- Etc e tal…?
- Sim, etc e tal…

November 7, 2007

JOCA MALUCO


Meio mundo adorava o Joca Maluco. O restante, não o suportava. De qualquer forma, era difícil ignorar aquele rapaz que fazia de tudo pra chamar a atenção dos outros. Nas festas, havia aquela expectativa sobre qual seria a maluquice da vez, razão de conversas sem fim nos dias seguintes. “Você viu o que o Joca Maluco aprontou? Rapaz, dessa vez ele se superou”. Parecia que ele vivia disputando consigo mesmo os limites da arte do exibicionismo. Incomparável.

Arrependimento não era um sentimento que fazia parte de sua vida. Mesmo quando suas gracinhas chegavam a machucá-lo. Como da vez em que ficou de sunga, no meio da praia, fazendo a coreografia da “Dança da Boquinha da Garrafa” apoiado numa perna só, como um saci. Num dado momento, desequilibrou-se, caindo bem em cima do gargalo da garrafa. Entrou no Pronto Socorro dando risadas, momentos antes dos médicos desentalarem o artefato enfiado em seu traseiro, numa cirurgia que lhe custou cinco dias de internação. E ele ali, achando graça da situação. Nada o abalava.

A mulherada gargalhava fácil com ele, irresistível para aquelas que adoravam homens palhaços, desses que não perdoam situação alguma. Perigoso. Felizes daquelas que se contentavam apenas com uns amassos e nada mais. Coitadas das que se apaixonavam por ele, iludidas por aqueles beijos intercalados com piadas infames. O Joca Maluco não era de ninguém. Era dos holofotes.

Adorava responder aos desafios que bolavam pra ele:
- Joca, duvido que você coma esse prato cheio de pimenta malagueta.
- Duvida? Olha que eu como, hein? - ele respondia, fazendo um certo charme.
- Ah, imagina, você não é homem pra isso!
- Não sou? Olha isso então! - e lá ia ele, devorando todo o conteúdo do prato, como se estivesse comendo uma tigeja de sucrilhos, com lágrimas nos olhos. Tudo pela quebra de limites em seu Guinness particular.

O tempo foi passando e nada do Joca Maluco tomar jeito. Quase todos da turma se casaram, tiveram filhos, estabilizaram-se no emprego. Apesar de ganhar bem, por ser um ótimo vendedor na empresa em que trabalhava, em grande parte devido à cara-de-pau sem precedentes, ele continuava o mesmo Joca Maluco nos eventos em que a velha turma se encontrava. Aquilo começou a cansar. Deja vu demais. Ninguém mais achava graça nele:

- Ih, olha lá o Joca Maluco dançando Macarena em slow motion, enquanto toma um banho de coca-cola…
- Putz, de novo? Eu, hein? Esse cara não cresce? Que coisa…

Aos poucos, foram deixando de convidá-lo pros churrascos. O contato foi minguando, até que ninguém mais tivesse notícias dele. Que ficasse na Terra do Nunca, ora essa.

Mas, anos depois, aconteceu o inevitável: começaram a sentir falta dele. O pessoal, cada vez mais saudosista, invariavelmente mencionava alguma das estórias do Joca Maluco. O passado o absolvera. Algumas vezes, ficavam horas e horas falando dele, gargalhando até perder o fôlego. Como não lembrar, por exemplo, daquela vez em que ele participou de um culto na Igreja Universal, fingindo que tinha um encosto, só pra aparecer na televisão com a cara toda quadriculada? E daquela vez em que ele, numa festa a fantasia, vestido apenas de cueca e uma capa de chuva transparente, alegou estar de “Homem-Invisível”? E por aí vai. Estavam com saudades dele. Queriam que ele participasse da próxima festa de aniversário. Vejam só, a volta do Joca Maluco!

Contato aqui, contato dali, o encontraram. Nem fazia tanto tempo assim que o viram pela última vez. Ele veio com a noiva. O quê? O Joca Maluco se casaria? Essa era boa. Como em inúmeras vezes, ele começou discreto, conversando normalmente com todos. A noiva ali, enturmando-se, ao lado dele. Simpática a moça, ainda bem, sem jeito de ser dessas que anulam a personalidade do companheiro. Algumas horas depois, acharam que já era o momento de trazer à tona o bom e velho Joca Maluco. Era hora de provocá-lo:

- Joca, duvido que você consiga beber cerveja plantando bananeira. Como você fazia em toda festa, lembra? DUVIDO!
- Ah, pode continuar duvidando. Isso é coisa do passado.
-….
- Joca, olha esse prato de pimenta aqui. Duvido que você consiga comer tudo isso, em 15 segundos. Duvido! Você não é homem pra isso!
- Ah, pra isso, não sou mesmo!
-…

Ficaram testando ele até o fim do encontro. Nada. Tentaram de tudo, em vão. Que coisa… Ele não tinha virado fanático religioso. A noiva, de uma simpatia só, certamente não era dessas castradoras. Ele, João Carlos, parecia bem a vontade com tudo aquilo, apenas rindo quando alguém desenterrava algumas de suas estórias absurdas, do passado, bem lá atrás. “Eu era terrível mesmo…hehehe” Despediu-se de todos como um cara normal, distribuindo convites pro casamento. Até o último segundo, ninguém gargalhou com ele, como nos velhos tempos. Acontecera algo estranho com o Joca Maluco. Era como se ele tivesse virado o traidor de um movimento que todos ali queriam resgatar. Ele… crescera. Finalmente, como todos ali. Não era mais o Joca Maluco. Era um impostor. Decepção geral.

E nunca mais voltaram a convidá-lo pra evento algum.

Tuca Hernandes | Comportamento, Amizade | 11:45 am | Comente que eu te comento (6)

October 25, 2007

EU, O NÁUFRAGO

Eu tinha vinte e poucos anos e morava sozinho em Jaguariúna, uma cidadezinha do interior de São Paulo. Recém-saído da faculdade, sem namorada, longe dos amigos do peito, da família, pouca grana, vida social zero. Uma angústia só. Nada ali me lembrava o ar universitário com o qual eu me acostumara nos cinco anos anteriores. Depois de meses sem conversas interessantes, cheguei a cogitar a criação de um amigo imaginário, da mesma forma que o Tom Hanks fez naquele filme, “O Náufrago“. O meu Wilson seria um ovo de avestruz vazio, pintado com canetinha mesmo. A coisa estava feia. SOS.

Antes que eu pirasse de vez em minha ilha particular, consegui fazer amizade com um casal de namorados, vizinhos meus no horário comercial. Os dois, bem novinhos, davam aulas numa escola de informática que ficava ao lado de minha casa. Após dias de belas conversas, de tanto ouvir meus lamentos sobre o tédio daquela cidade, o rapaz decidiu me convidar pra festa de aniversário da irmã dele. Aceitei no ato, já imaginando a libertação que seria aquele evento. De antemão, eu decidi que iria beber feito uma esponja, chegando junto de tudo quanto era mulher desacompanhada e minimamente mais ou menos que estivesse por ali. Se bobear, nem a aniversariante eu perdoaria. Eu tinha muito tempo perdido pra recuperar. A coisa prometia.

No dia aguardado, acordei com aquela expectativa que ronda o centroavante nas horas que antecedem a final da Copa do Mundo. Fazia um belo domingo de primavera, desses sem nuvens. Ideal pra um churrasco. Bem, só poderia ser um churrasco, vide o horário marcado pro início daquela festa, duas da tarde. Pontualmente, munido de meu melhor perfume, apertei a campainha da casa do meu novo amigo. Quando ele abriu a porta, estranhei a ausência do cheiro de churrasco. Estranhei mais ainda a ausência dos amigos e, principalmente, das amigas dele. Ninguém. Tudo que vi foram os pais e umas tias ao redor da enorme TV da sala, sintonizada no Domingão do Faustão.

Em estado de choque, fui apresentado à aniversariante, que completava 5 anos naquele dia.

Me cederam um espaço no sofá, o que talvez fosse uma honra, por eu ser a única pessoa de fora ali. O clima era amistoso, em grande parte por causa das gargalhadas arrancadas pelas pegadinhas e videocassetadas - Ô loco, meu! Pelo jeito, só eu ali não dava risada de verdade. No máximo, um sorriso amarelo, pra não ficar chato. De conversas mesmo, nada. Tudo bem, ninguém ali teria nada de interessante pra falar mesmo, considerei. Ah, nada como umas cervejas pra suportar tudo aquilo. Infelizmente, estavam em falta, também. Sem churrasco, cerveja, e mulher. Considerando-se a fase que eu vivia, uma tragédia, sem dúvida alguma.

Enquanto eu comia meu sanduíche de carne louca, bebericando meu guaraná, o programa do Faustão deu uma pausa pra uma partida de futebol. Resolveram colocar no Domingo Legal, do Gugu. Ôpa, maravilha, era a hora da banheira. Até que enfim alguma emoção ali, ora essa. Que nada, aquela era uma família que preservava a moral e os bons costumes, nada daquela baixaria ali. Com a TV desligada, não restava nada a não ser cantar os parabéns. Antes, uma das tias pediu a palavra:

- Gente, toda vez que uma criança faz aniversário, é o Menino Jesus que aniversaria também! Então, vamos aplaudir os aniversarianteeeees!!!! - eu aplaudi também, é claro, como não?

Enquanto eu comia o bolo, sugeri pro meu casal de amigos que a gente fosse dar uma saída, pra aproveitar o resto daquele domingo bonito. Tomar umas cervejas, encontrar um pessoal jovem e maior de idade, essas coisas. Eu ainda tinha minhas esperanças. Eles concordaram, não sem antes voltarem novamente para o sofá, de forma a acompanharem, com o resto da família, mais uma rodada de pegadinhas e videocassetadas, agora no programa do Gugu. Fiz menção de ir embora, já visivelmente impaciente. Os dois pediram que eu esperasse um pouquinho mais, enquanto enxugavam as lágrimas das gargalhadas que todos ali compartilhavam.

Uma hora depois, estávamos no carro do rapaz, rumo ao “centro jovem da cidade”, uma avenida que ficava lotada aos domingos, perto de minha casa. Encostaram o carro em um posto, desses com loja de conveniência. Imediatamente, fui comprar umas cervejas - finalmente! Dos amigos do casal que estavam lá - todos casais também - ninguém quis uma latinha sequer. Assim, no fim da tarde, lá estava eu, bebericando minha cerveja, no meio daquele pessoal de papo tão empolgante quanto discurso de telemarketing as sete da manhã. Sobravam frases econômicas, entremeadas por “é…”, “só…”, “pois é…”. Nem deu meia hora ali, o meu amigo disse que precisaria ir embora, com a namorada a tiracolo.

- Ué, já??? - perguntei, surpreso
- É que a gente precisa se preparar pra ir na missa, mais tarde… - o rapaz respondeu.

Me despedi deles como um náufrago que volta pra ilha, desses derrotados por terem confundindo a nuvem do horizonte com um navio de resgate. De volta à estaca zero, definitivamente. Entrei na loja de conveniência, comprei mais umas dez cervejas, e fui pra casa. Umas horas depois, eu bebia a última gota, da última latinha, ao som de Rolling Stones, no último volume. Dançando e cantando feito um alucinado, por toda a casa, como que exorcizando todo o silêncio careta daqueles novos tempos. É, vinte e poucos anos. Oh, yeah!

*************

E que tal:

  • Ver (ou rever) dois vídeos? O primeiro é o ultra-mega-tosco “Thriller da Índia“. O outro, o primeiro episódio da saga de “Chad Vader“, o irmão do Darth Vader.

October 19, 2007

CONFISSÕES DE MULHER

Há quanto tempo eles estavam naquele boteco? Cinco horas? Um pouco mais que isso. Da turma que estava na mesa, sobraram apenas os dois, obviamente bêbados:

- Meu amigo, se eu fosse mulher, eu daria pra você! Sem pensar!
- Papo estranho esse, hein?
- Não me leve a mal, mas o que eu quero dizer é que eu te considero pra caralho! Pra caralho! Dá um abraço, amigão!
- Ok, ok, até aí, tudo bem… mas dizer que daria pra mim… Que merda, hein? Pára de beber, vai!
- Mas é verdade. Rapaz, se eu fosse mulher, eu seria daquelas bem frescas, cheia de não-me-toques, sabe? Ninguém tocaria em mim, exceto você, é claro…
- Ih…
- Pelo que você fala, pela alegria da sua noiva ao seu lado, você deve mandar muito bem…
- É. Mas com mulher, cacete! Com mulher…
- Eu sei. Por isso é que, se eu fosse mulher, eu faria de tudo pra ficar ao seu lado. Ou seria você ou nada! Se você não existisse, eu iria pra um convento! Seria assexuada!
- Ué, você poderia virar lésbica ainda…
- Nem pensar!
- Deixa de bobagem… mulher com mulher tem sido a coisa mais comum do mundo…
- Eu sei! Eu sei! Mas, caramba, depois de te conhecer, eu jamais iria tirar você da minha cabeça… Você seria inesquecível! O meu ideal!
- Ô papinho mais xarope, viu? Pára com isso, vai. Senão, daqui a pouco vou te dar porrada!
- Olha aí, tá vendo? É isso!!!
- Isso o quê?
- Além de tudo, você é viril, mulher gosta disso. Se uma mulher te visse agora me ameaçando, com essa voz, essa expressão que você fez, esse olhar másculo, minha nossa, ela iria pirar. Se eu fosse mulher, eu ovularia na hora! Que homem!!! Viril e sensível. Ah, e inteligente também! Tô até arrepiado, olha aqui, ó!
- Pôrra… eu mereço… Só falta agora você dizer que me ama, com um tubo de KY em uma das mãos…
- Êpa! Tá maluco? Sai pra lá! Viajou feio agora, hein? Sou homem, espada, hetero da ponta dos pés, até o último fio de cabelo!
- Sei…
- Agora, se eu fosse mulher, aiai, você não me escaparia. Marcação cerrada! Eu faria qualquer mandinga pra você ficar caidinho por mim, inclusive servir café coado na minha calcinha… Ei, o que foi, já vai? É cedo ainda…
- Pois é, mas preciso me aprontar pra sair com a minha noiva, mais tarde. Olha aqui a grana da conta, pode ficar com a minha parte no troco…
- Vou nessa também. Cara… será que você poderia me dar uma carona?
- Ficou maluco, é? Nem pensar!
- Ué, qual o problema?
- Seus olhos estão brilhando, pôrra!!! Brilhando!

(Texto escrito em 03/11/2005)

E que tal:

July 25, 2007

TELEVISÃO DE CACHORRO

Conforme a tradição de todos os sábados, os três, vinte e poucos anos, foram ao barzinho da moda atrás da mulherada:

- Olha essa! Olha essa!
- Quem? A loira ou a morena?
- A moreninha, é claro.
- Moreninha? Morenaça!
- A outra eu encararia.
- Eu também. Demorou!
- Que coisinha…
- Com um corpinho desse lá em casa, rapaz. Nem te digo…
- Bem que ela poderia chegar aqui na mesa, pegar na minha mão e desaparecer comigo por aí…
- Que loucura, que loucura… Isso sim que é mulher.
- Nove e meio pra ela!
- Nove e meio?
- É isso aí. Dez não, pra não ficar convencida demais.
- E eu tô ligando? É DEZ com louvor. Pode passar a régua! Ei! E essa? E ESSA?
- CARAAAAALHO!!!!
- Nassassinhora!!!!
- Mas que saúde, hein???
- Rapaz, me segura, vou ter um troço.
- Ah, eu já tô tendo um. Morro agora, mas morro feliz. Ô DELÍCIA!
- Vê só. Ela tem jeito de ser daquelas bem perfumadinhas.
- Se tem, delicadinha como só ela…
- Rapaz, uma coisinha dessa, mais um perfuminho… É um perigo!
- Pois é. Um sonho, olha aí. Bem na nossa frente. Não me conformo.
- Não se conforma com o quê?
- Sei lá, não me conformo. Olha lá. OLHA LÁ!
- Calma, Cidão. Não vai chorar como naquele dia, vai?
- Só vou aplaudir…
- Pô, Cidão, pega leve aí… ficar dando bandeira… Ai minha nossa, minha nossa!! Olhem só para o monumento que vem vindo à direita de vocês!
- Onde? Onde?
- Olha e disfarça, pô.
- VIXEEEE!!!!
- Meu Deus! Pára tudo!
- Mas vai ser gostosa assim lá em casa, minha filha!
- Ai, ai…
- Não é possível. Essa aí tem que vir com manual de instruções junto.
- Sabem o que eu faria com uma dessa?
- Eu faria um poema…
- O QUÊ????
- Qual o problema?
- Poema, Cesinha?! POEMA?!
- Ah, faça-me o favor, Cesinha!!! Francamente. Um corpão desses, e você me diz “poema”??? Francamente!!!
- Comigo seria outro papo… hehehe… Vocês nem imaginam… Aliás, nem queiram imaginar!!
- Você eu não sei, mas, antes de mais nada, eu pegaria ela assim, depois, assim, e, pra finalizar, bem assim, ó!
- Mas, peraí. Isso não é anti-higiênico?
- Com ela? De modo algum!
- Com ela não tem dessas não.
- Apoiado. Pode tudo. Sem limites.
- Rapaziada, sem limites é essa gracinha que acabou de se levantar na mesa aqui ao lado.
- Alguém aí me belisca pra ver se não é sonho!
- Ai, ai, eu daria tudo para ser esse vestidinho dela.
- E eu, as marquinhas do biquíni…
- Eu não, prefiro ser o namorado dela.
- O quê? Como você sabe que ela tem namorado?
- Ela e o cara aí do lado estavam de mãos dadas o tempo todo.
- E se for irmão?
- E desde quando irmão dá um chupão na irmã?
- O quê? Esse babaca beijou aquela boquinha linda? Não me conformo. Olha a cara de trouxa que ele tem. Faça-me o favor!!!
- Calma, Cidão, calma!
- Pois é, não muda nunca. Mulher gostosinha, bonitinha, nunca fica sozinha. Tem sempre um cara ao lado.
- Pois é, um babaca.
- Um otário…
- E por que nunca é a gente?
- Hein?
- Pergunta besta.
- É, cretina…
- Acontece que toda balada é a mesma coisa, da gente sempre indo embora sozinho e…
- OPA! Pára tudo! Ah, não! AH, NÃO! Olha ali! Acabou de cair uma DEUSA do céu, olha lá!
- Nooossaaa!!!!
- Viiiiiiiiixe Mariaaaaaa!!!
- PU-TA-QUE-PA-RIU!!!!!

****************

E que tal:

Tuca Hernandes | Comportamento, Amizade | 8:31 pm | Comente que eu te comento (9)

May 21, 2007

ALERTA ANTI-TAGARELA

Muitas pessoas vivem na ilusão de achar que não incomodam ninguém. “Imagina, todos me adoram”, acreditam. Nessas, segundo cientistas renomados, há uma preocupante deficiência na produção cerebral de Semancol, aquele princípio que norteia e define a autocrítica. Esse problema é bem comum naqueles indivíduos que falam demais, o tempo todo. Aí, simplesmente inexiste a percepção que o interlocutor, vejam só, também tem algo a dizer sobre aquele assunto. Que o diálogo, pra ser proveitoso, precisa de complementos vindos de outras fontes - no caso aqui, você, que, pela enésima vez, teve a fala interrompida pela ansiedade de alguém que só está interessado em despejar a própria opinião, nada mais. Mas, muitas vezes, apesar dos pesares, você gosta daquela matraca ambulante. Sabe que teríamos uma pessoa ainda mais querida pelos amigos se a língua ali for domada. Enfim, você gostaria de ajudá-la. Mas como?

Assunto delicado esse. Confesso que nunca tive coragem pra alertar alguém a respeito disso. E fica essa angústia, de imaginar que em algum momento um ser mais cara-de-pau que eu vai revelar o quão inconveniente tem sido aquela pessoa. Mas, não. Passam-se os anos, e os monólogos não requisitados continuam a todo vapor. Conclui-se aí que ninguém quer passar por implicante. “Ah, deixa pra lá”, conformam-se. Mas eu tenho uma boa idéia pra minar esse constrangimento: avisos anônimos.

É uma idéia parecida com a que um site tem para os casos de conhecidos que possuem mau hálito. Nesse, anonimamente, uma pessoa coloca o nome e o e-mail do portador de halitose, que, por sua vez, recebe uma mensagem que o alerta da situação. Daí em diante, pressupõe-se que atitudes serão tomadas pra se contornar aquele incômodo. Imagino que o mesmo poderia ser idealizado pro caso de indivíduos que falam demais, onde, por e-mail, receberiam um aviso mais ou menos assim:

Caro amigo(a),

Sinto muito lhe informar, mas você fala pra caralho. É sabido que a maioria da humanidade gosta de emitir uma opinião, de contar uma estória, etc. Mas, no seu caso, puta que pariu, é demais. Tenha consciência que um diálogo é o exercício de várias vozes, duas no mínimo, não o seu monólogo interminável e supostamente interessante. Por favor, procure ouvir mais as pessoas que conversam com você. Sei que essa mensagem pode deixá-lo(a) chateado(a), mas acredite, é pro seu bem. Gosto de você, e não acho justo que os outros fiquem ridicularizando por aí o seu jeito tagarela de ser.

Um forte abraço de alguém que se importa com você.

Na felicidade dessa idéia vingar por aí, contribuindo pra um mundo mais harmônico, onde todos se ouvem, é bem capaz que surjam iniciativas similares, de pessoas alertando outras sobre demais constrangimentos, pela confortável via do anonimato. Assim, finalmente, aquela gordinha teria consciência do ridículo que é usar aquelas roupas dois números abaixo do dela, evidenciando mais pneus que a borracharia da esquina. O cara fortão, que fica cultivando músculos e mais músculos, saberia que as pessoas o observam na rua não como um modelo de macho invejável, mas sim como algo bizarro que provavelmente deve ter sérios problemas de ereção por conta dos hormônios ali acumulados. E por aí vai, numa possibilidade de exemplos que preencheriam mais de mil parágrafos por aqui.

Sendo assim, paro por aqui, pois não quero receber mensagens anônimas de gente que se importa comigo, me aconselhando a escrever posts mais curtos…

***********

E que tal:

May 11, 2007

COMO DIRIAM ELES

Há muito tempo que ele não o via o Paulinho Freitas, amigo das antigas. Desse, ouviu dizer que estava trabalhando mais do que um bocado, entregando a alma, o sangue e o suor pra multinacional onde começara como mero estagiário. Agora, desempenhava a cobiçadíssima função de diretor-adjunto de marketing da região sudeste-setentrional. As atribuições da carreira, como o doutorado e os dois MBAs já completos, o haviam afastado dos amigos. Assim, foi uma bela surpresa encontrá-lo naquela livraria:

- Paulinho! Há quanto tempo, rapaz!
- Olá Tiago, como vai? É uma satisfação encontrá-lo. Tudo bem? - presenteou o amigo com um forte apertar de mãos e um olhar direto e confiante, como se estivesse prestes a fechar um grande negócio.
- Tirando o fato de eu estar desempregado, tudo bem. E aí, você vem sempre nessa livraria?
- Não. Estou aqui exclusivamente pra comprar o livro “Minha Empresa, Minha Vida - Os 15 Passos Infalíveis Para se Tornar Um Empresário de Sucesso“. Dizem que é muito bom. Estupendo.
- Nossa, Paulinho. Justo você, o poeta da turma, comprando um livro desses?
- Ah, meu caro, é preciso evoluir, entende? Afinal, como diria John Lennon, “a vida é o que acontece quando estamos fazendo outros planos…” - ele dá uma piscadela, enquanto acaricia o seu rolex.
- Ok, ok… mas e aí? Falando em trabalho, fiquei sabendo que você está muito bem lá na empresa…
- Ah sim, tudo ótimo por lá. Mas sabe como é, “o sucesso não vem por acaso“. Aliás, como você deve saber, “o único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.
- É.. tem razão… Mas… Você está feliz?
- Ah, muito. Mas não posso me contentar com o que eu tenho, há muito ainda pra conquistar. Sabe como é, “quem não quer sempre mais, fatalmente terá menos.” Mas eu chego lá, meu amigo! Eu chego lá! Como diria o ditado “querer vencer significa já ter percorrido a metade do caminho da vitória.
- Sei… sei… Mas e a saúde no meio de tudo isso? Vai bem?
- Meu amigo, confesso que nem tenho tido tempo pra ir ao médico. Mas, tudo bem, são ossos do ofício. Como diria C. C. Colton, “a adversidade é um trampolim para a maturidade.” Mas, enfim, “não devo pensar nos problemas, mas sim nas soluções.
- Bem, deixa eu ficar quieto, pois, como diria o meu avô, “passarinho que come pedra, sabe o cu que tem.

Ao ouvir isso, Paulinho ganha um ar reflexivo. Após coçar o queixo por 30 segundos, calado, ele tira um bloquinho e anota a frase que seu amigo acabara de dizer, colocando “ânus” no lugar do palavrão. Interessante, ele iria usá-la ao ministrar o próximo treinamento motivacional da empresa.

- Pôrra, Paulinho. Que merda é essa? Justo você, que era o poeta da turma? Que decepção.
- O que foi? - ele reage, surpreso.
- Cacete, até agora eu não vi você falar uma idéia que fosse sua. Só fica aí repetindo o que os outros já falaram. Cadê aquele Paulinho Freitas que era capaz de fazer um poema por hora? Cadê o Paulinho dos sonetos, dos versos decassílabos? Cadê???
- Caro amigo, aprendi a aproveitar as oportunidades, só isso. Segundo um provérbio chinês, “há três coisas na vida que não voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.”
- Ai, meu Deus. Olha aí. Parece até encosto.
- Saiba que “o perigoso não é pensar grande e não conseguir; o perigoso é pensar pequeno e conseguir.”
- Tá, e eu sou o Bozo.
- Ainda mais você que está desempregado, ao invés de tentar me censurar, seria de bom tom saber que “todo fracasso ensina ao homem algo que ele precisa aprender.
- É, duralex sedilex, no cabelo, só gumex.
- Não entendo sua revolta. Tenha consciência que “nós somos o que fazemos repetidamente, a excelência não é um feito, e sim, um hábito.” Palavras de Aristóteles.
- Amém.
- E quem sabe seja falta de Deus na sua vida: “nunca diga a Deus que você tem um grande problema. Diga a seu problema que você tem um grande Deus, que tudo fará por você.”
- Putz, não é possível. Fizeram lavagem cerebral em você. Não é possível. Aquele Paulinho já era. Fazer o quê.. tenho que me conformar.
- Olha, segundo Kennedy, “o conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento.
- E eu não acreditava quando me falavam que você tinha ficado chato.
- “Falem bem, falem mal, mas falem de mim.”
- Que pena, que pena… Bem, Paulinho… vou nessa.
- Tiago, sucesso pra você. - o mesmo aperto de mão, o mesmo olhar confiante do começo. Impressionante. Quase um andróide. - E não se esqueça: “se somos um peixe maior que o tanque em que fomos criados, ao invés de nos adaptarmos a ele, devíamos buscar o oceano.”
- O que é isso? Outro provérbio chinês?
- Não, Paulo Coelho.
- Ui!

**********

E que tal:

Tuca Hernandes | Trabalho, Amizade | 6:34 pm | Comente que eu te comento (9)

April 20, 2007

CONSELHOS DE AMIGA

- Ai, Marília de Deus! Não acredito que você tenha se rebaixado tanto assim. Ai, Marília, cabecinha oca! Que besteira você fez, hein?
- Credo Gabi, também não é pra se espantar dessa maneira, né? Aconteceu, ué…
- Amiga, acho que você não caiu em si ainda. Hellooo, tem alguém aí nessa cabecinha? Você por acaso tem idéia do que fez ontem?
- Tenho. Eu transei com aquele rapaz que conheci no orkut, o Rogério. E daí?
- E daí que foi o primeiro encontro de vocês, sua doida! Justo você, Marília? Que, como eu, sempre disse que ficaria sozinha o tempo que fosse preciso, até encontrar alguém que prestasse? E acaba indo pra cama no primeiro encontro com um cara que você mal conhece? Que decepção…
- Um momento, o Rogério não é um cara que mal conheço não. Somos amigos de orkut há uns 3 meses já. E outra coisa. Não fomos pra cama.
- Ah não?
- Não. Fomos pro sofá mesmo.
- Credo.
- Ah, Gabi, se você tivesse visto a química que rolou entre a gente, você não teria achado tudo isso um absurdo, não mesmo. Olha só o meu sorrisinho de feliz… Sorriso de mulher bem comi… ah, deixa pra lá.
- Marília, vou te dizer isso uma só vez, conselho de amiga do coração: a mulher não deve, em hipótese alguma, dar no primeiro encontro. Jamais! Nem se o cara for o Brad Pitt.
- Ah, deixa de moralismo, vai.
- Não tem nada a ver com moralismo. É questão de deixar o cara mais interessado pela gente, sabe? Agora, se você transa com ele já na primeira noite, acaba o mistério, aquela curiosidade. Ponto final. Fim da magia. Foi-se…
- Engano seu. Se foi bom, a vontade é de repetir a dose nos encontros seguintes, ora essa.
- Sim, pode ser. Mas quero ver agora se o cara vai respeitá-la daqui por diante. Duvido!
- Como assim, respeitar?
- Ah Marília, você sabe, né? Quando o homem tem sexo muito fácil com a mulher, não se vê mais na obrigação de tratá-la como uma rainha… Já conseguiu o que quis… Não a valoriza mais. Sempre funcionou assim: quanto mais fingimos que não queremos aquilo, mais gentil o cara fica. Tem que dificultar, minha amiga! O negócio é virarmos uma diva quase que impossível pra eles. Quase uma santa!
- E quem disse que o Rogério é desses que dão bola se a mulher transa ou não na primeira noite?
- Por que ele é homem, minha amiga! E homem, você deve saber, é tudo igual. Sem exceção. Não tenho dúvidas que daqui pra frente ele vai começar a agir friamente com você. Vai virar uma Sibéria só. Te prepara!
- Sinto muito lhe informar, Gabi, mas o Rogério é diferente, viu? Saiba que hoje mesmo, de manhãzinha, ele me ligou agradecendo pela noite maravilhosa que passou ao meu lado. Até falou que está apaixonado, vendo coraçõezinhos pipocando ao redor dele e dando bom dia pra poste. E você tá vendo aquelas flores ali? Adivinha de quem eu recebi? Adivinha? Do próprio! Que maravilha, hein?
- Sério??? Caramba…
- E então? Ele é ou não é uma exceção?
- Você tá brincando, comigo, né? Esse cara é um babaca!
- Hein?
- Ora essa, homem nenhum deve ligar no dia seguinte. Muito menos mandar flores e dizer que está apaixonado! Em hipótese alguma! Esse aí tá pedindo pra ser pisado, no mínimo. Pra ser mais claro que isso, só falta colocar um cartaz na testa, implorando: “Ei, me rejeite! Me rejeite!”. Minha nossa, olha isso, olha isso! O cara te enviou orquídeas! Orquídeas!!! Que loser!
- …
- Mas vocês dois, hein? Aff…

(Texto escrito em 08/06/2006)

Próxima Página »