ARCEBISPO PERNAMBUCANO CRIA ALTERNATIVA À PÍLULA DO DIA SEGUINTE
O arcebispo de Meque-Meque (PE), Dom Jovelino Amorim, contrariando seus colegas de diocese, não se posicionou contra a distribuição da pílula do dia seguinte no carnaval pernambucano desse ano. “Já que o poder público mostrou-se irredutível nessa questão, nós da igreja temos que responder à altura, com criatividade, sem o desgaste de medidas judiciais.“, afirmou Dom Jovelino. Para tanto, ele fez a encomenda de milhares de cintos de castidade para serem distribuídos nesse carnaval. “Pelo menos as mulheres de Meque-Meque e região poderão tomar quantas pílulas quiserem, que, no fim das contas, não fará efeito nenhum mesmo.”
Quanto ao risco da foliã fraquejar nesses dias, livrando-se do aparato, o arcebispo diz que criou um sistema de segurança pra isso. “É simples. Todas as chaves dos cintos estarão comigo, muito bem guardadas em uma sala da paróquia. Na quarta-feira de cinzas, depois do meio-dia, eu devolverei todas elas.”
Questionado sobre o caráter contraceptivo do cinto, aparentemente contra as leis da igreja, Dom Jovelino lembra que o mesmo “foi concebido (sic) para servir de contraponto à pílula do dia seguinte, um remédio pecaminoso que funciona como uma espécie de abortivo. E seria um absurdo classificar o cinto de contraceptivo, já que o propósito dele é o de evitar a penetração, que é a principal condição para que haja o encontro do óvulo com o espermatozóide.”, esclareceu o arcebispo, que é radicalmente contra o uso da camisinha.
No carnaval passado, ele foi o responsável pela polêmica campanha “Carnaval Sem Penetração”, que, apesar de toda atenção da mídia, não provocou alterações signicativas nos índices de natalidade e de doenças sexualmente transmissíveis na região de Meque-Meque. Agora, com a idéia do cinto, ele acredita ter encontrado uma solução definitiva para “barrar os impulsos da carne que assombram essas festividades”.
As inscrições para as interessadas em usarem o cinto de castidade estão abertas desde o meio da semana passada. Até o momento, na véspera do início das festas, só uma mulher se inscreveu. Trata-se de Dona Eulália das Dores, uma senhora de 68 anos, viúva desde os 14. “Achei bem interessante essa idéia do cinto. Só vou pegar a chave depois da quaresma.”, afirmou Dona Eulália. Apesar de já não estar mais em idade reprodutiva, ela acredita que o cinto terá utilidade pra ela. “Ah, tem um vizinho meu que fica me olhando meio estranho. E, no carnaval, nunca se sabe o que pode acontecer, né?”
Fonte: Gazeta de Mucuriçoca D’Oeste
