FIAPO DE JACA

December 27, 2007

QUE TAIS DE 2007

Bem, aqui não tem retrospectiva. Pelo menos de textos meus. Nesse sentido, achei mais interessante fazer uma coletânea das indicações que publiquei ao longo de 2007. Coisas bacanas que encontrei nas minhas andanças virtuais e que achei interessante compartilhar com você, que vai ter um belo 2008, feito eu. É capaz que você já tenho conferido muitas dessas dicas. E que tenha esquecido também. Bem, pode ser também que essa seja a sua primeira visita aqui. Então, seja lá como for, que tal:

Ps: textos novos por aqui, só a partir da segunda ou terceira semana de janeiro. Sim, feliz 2008. Pra todos nós.

Ps2: no próximo dia 15/01/2007 (terça-feira), às 11:00 hs, o programa “Blog Tracks”, da rádio virtual “Delas Web Radio“, terá como tema o “Fiapo de Jaca”. Reprise às 13, 16, 18, 21 e 05 h. (entre no site e clique no selo do Programa Blog Tracks).

Tuca Hernandes | Uncategorized | 12:49 am | Comente que eu te comento (4)

December 12, 2007

ORIGINALIDADE

Daquela vez, depois do jantar no restaurante de sempre, os dois foram pra um motel. Chique até. Também pudera, estavam comemorando cinco anos de casados. Quando entraram na suíte luxo flash style, ele pediu pra que ela ficasse na cama, deitada e de olhos fechados. Enquanto isso, se aprontaria no banheiro, levando aquela sacola misteriosa, onde estava a tal surpresa tão comentada nos dias anteriores. Alguns minutos depois, pediu pra que ela abrisse os olhos. Ele surgiu vestido de policial, segurando um par de algemas:

- Parada aí! Você está presa por roubar o meu coração! - chegou triunfante, algemando-a na cama.
- Ai, que tédio… - ela bocejou
- Pô, não gostou?
- Então é essa a grande surpresa que você preparou pra mim? É isso?
- É…
- Ai, Renato… Se vestir de policial? Francamente, que falta de criatividade, hein?
- Obrigado, hein? Vou no sex shop com o maior carinho, pensando numa fantasia que pudesse te agradar e é assim que você me agradece, é? - ele protestou, enquanto retirava a algema do punho dela.
- Você sabe que odeio esses clichês de sex shop, meu bem.
- Ok, tudo bem. Foi uma tentativa minha. Nunca mais me fantasio pra você. Se você quer só arroz com feijão, tudo bem.
- Ah, não é bem assim. Posso gostar de ver você fantasiado sim. Mas com algo mais original.
- Tá, como o quê? Me dá um exemplo aí.
- Um exemplo? Hum… De messenger. É… Taí, de messenger.
- Hein? De messenger? Tá maluca, é?
- É, você nunca viu aquela foto na internet de um cara que foi pra uma festa fantasiado de messenger?
- Acho que vi em algum e-mail que recebi…
- Então, eu acharia o máximo que você me surpreendesse nesse estilo.
- Peraí, você tá brincando, né? Não me diga que você que se excitaria comigo fantasiado de… messenger.
- Ué, por que não?
- O que isso tem de sexual?
- Ah, Renato, basta a gente usar a criatividade. A criatividade! Essa coisa que mantém a chama acesa, sabe?
- Aiai…
- Por exemplo, imagine que cada emoticon vindo de você equivaleria a um convite pra uma determinada posição. Maravilha isso, né?
- Sei, e se eu broxar, como agora, é sinal de que caiu a conexão, é isso?
- Isso, por aí. Pegou o espírito da coisa. Mas você sempre poderia se conectar a mim de novo, avisando que “acabou de entrar”. Aí, você entra em mim, literalmente, entendeu?
- Entendi…
- Convenhamos, mais interessante do que esses lugares comuns de sex shop. Policial, bombeiro, gladiador… áfe.
- Ok, ok…
- Agora, tira essa fantasia e vem pra cá, vem.

Terminaram a noite num arroz com feijão até que bem temperado. Mas, pro próximo ano, ela não perdia por esperar: iria ter uma noite inesquecível com o Youtube.

Tuca Hernandes | Sexo | 1:29 am | Comente que eu te comento (14)

December 5, 2007

O GRANDE CRÍTICO

A alimentação do Grande Crítico era composta basicamente de fígado de romancistas fracassados e cérebro de cronistas melancólicos. Pra acompanhar, apreciava um cálice com lágrimas de poetas humilhados, cujo estoque era feito em galões. Figura mais do que temida no meio literário, só ele, diante de seu currículo de incontáveis resenhas - milhões desfavoráveis e uma dezena elogiando, mas com ressalvas - poderia dizer o que era literatura e o que não era. Um indivíduo só poderia se apresentar oficialmente como “escritor” mediante a aprovação dele, ninguém mais. O Aspirante a Escritor acreditava piamente nisso, razão pela qual resolveu encarar o desafio: iria publicar uma obra somente se a mesma caísse no gosto do Grande Crítico, se Zeus quissesse.

Material ele já tinha. Pegou algumas crônicas que estavam na gaveta e as reuniu numa coletânea. Mostrou para os amigos, que adoraram. A parentada amou. Até o cachorro abanou o rabo ao ver aqueles papéis. Maravilha. Agora, só faltava levá-los ao Grande Crítico, para que pudessem receber o selo definitivo de qualidade, o último passo antes da publicação. Depois de meses de espera, finalmente o Grande Crítico resolveu recebê-lo, com a condição de que fosse breve o encontro, na sala-biblioteca dele. No entanto, mal entrou no recinto, foi convidado a se retirar, aos gritos. Perplexo, o Aspirante a Escritor pediu ao menos alguma explicação para aquela reação. O Grande Crítico o pegou pelo colarinho:

- Sinto cheiro de crônicas aí nesses papéis debaixo do seu braço! E isso não é literatura! É lixo! Você não é escritor! Suma daqui!!! Volte com literatura! Com LITERATURA!!! Chispa! - dito isso, antes de bater a porta, jogou um copo inteiro de lágrimas de poetas humilhados na cara do Aspirante a Escritor.

Apesar desse início desastroso, ele não desistiria. O Grande Crítico um dia haveria de reconhecê-lo como escritor. Ponto de honra. Ele tinha certeza que nascera pra isso. Tudo o que ele precisava era se exercitar no ofício, lapidando o estilo. Dessa forma, decretou o fim das crônicas em sua vida, anunciando que se tornaria romancista. Durante cinco anos, leu sem interrupções os maiores romances que a humanidade já produzira, dos russos aos finlandeses, dos clássicos aos contemporâneos, do naturalismo ao realismo fantástico. Releu tudo, inúmeras vezes. Sim, agora sabia o que era literatura.

Depois, por mais cinco anos, dedicou-se a escrever a sua obra-prima, diariamente, em turnos que mais pareciam uma maratona literária, tamanho o tempo dedicado ao preenchimento de seus capítulos. Depois de mais cinco anos de revisão, julgou que o trabalho estava pronto, irretocável. Mais de 500 páginas da mais genuína literatura. Mostrou o material para os amigos, que adoraram. “Gênio”, saudavam os mais exaltados. Alguns da família choraram de orgulho por ter um verdadeiro escritor entre eles. O cachorro já era outro, mas a animação era maior ainda que a do anterior, como provava aquele rabo que ia pra lá e pra cá, freneticamente, quando via aquele calhamaço.

Agora só faltava a opinião do Grande Crítico.

Dessa vez, esperou um pouco mais ainda pra ser atendido. Dois anos. Um pouco mais receptivo, dessa vez o Grande Crítico deixou que ele ficasse na sala, oferecendo até um pouco do cérebro de cronista melancólico que estava comendo. Pediu para que o Aspirante a Escritor deixasse os originais do romance em cima da mesa. Disse que, quando terminasse a leitura, entraria em contato, o que só foi acontecer depois de três anos. Ao responder a pergunta sobre o que ele enfim tinha achado daquela obra, o Grande Crítico foi direto:

- Bem, eu li apenas o primeiro capítulo e a metade do segundo. Lixo. Puro lixo. Não consegui ir adiante. Percebi que se tratava de mais uma subliteratura de um pseudo-escritor metido a moderninho. Olha, pra não dizer que seu material não teve utilidade nenhuma, eu usei parte dele como papel higiênico, já que o estoque daqui tinha acabado. O resto, foi pro lugar de onde merece não sair, nunca: o lixo. Você não faz literatura. Você não é escritor. Desista. Agora, queira se retirar.

Apesar de transtornado com aquele desdobramento, o Aspirante a Escritor não desistiria. Não era da índole dele fazer isso. Tudo bem, era preciso escrever mais. Ler mais, essas coisas. E lá foi ele lapidar o seu ofício, mais uma vez. Dez anos depois, nascia a sua obra definitiva. Que, como sempre, teve aprovação irrestrita dos amigos e parentes. E do cachorro do momento também. Um épico de 830 páginas, que o Grande Crítico finalmente aceitaria. Ledo engano:

- Fraquinho, fraquinho. Isso não é literatura. Logo, você não é escritor - sentenciou o Grande Crítico.

Bem, estava melhorando, pelo menos, dessa vez, deu a entender que lera a sua obra por inteiro. Estava no caminho certo. Ao trabalho então. O tempo foi passando, e o Grande Crítico ali, derrubando obra por obra: “Uma lástima”, “Patético”, “Constrangedor”, “Ruinzinho”. Pois é, parecia que o Aspirante a Escritor não sabia produzir literatura mesmo. Segundo o Grande Crítico, ele não era escritor.

No entanto, num belo dia, o Grande Crítico - que já estava bem velhinho, mas lúcido - , o recebeu com um sorriso radiante:

- Parabéns, você produziu literatura. Você é um escritor.

Finalmente, ele sentia-se à vontade para publicar o seu livro, agora um sofisticado romance de 1225 páginas. Tinha a aprovação daquele semideus do mundo literário. Resenhas elogiosas sobre a obra-prima dele, todas baseadas na opinião definitiva do Grande Crítico, invadiram os jornais e revistas. Gênio. No entanto, ao chegar na primeira prestação de contas junto a editora, teve uma surpresa. Não haveria uma segunda edição. Como a obra encalhara nas livrarias, ela entraria num pacote de livros a serem vendidos por R$ 1,99. Queima de estoque.

Afinal, os pontos de vendas tinham que ter espaço suficiente nas prateleiras para a exposição de livros que vinham sendo um sucesso de vendas, como a “altobiografia” da Carla Perez, que já estava na 322ª edição.

E o Grande Crítico não achou lá essas coisas o fígado do romancista fracassado. Uma pena.

Tuca Hernandes | Literatura | 12:18 am | Comente que eu te comento (8)

December 2, 2007

FUTEBOL É COISA DO PASSADO

Os dois eram corintianos fanáticos. Ou melhor, já foram. Dias depois da pior tarde da vida deles, ao se encontrarem pra um cafezinho, o assunto não poderia ser outro:

- Serjão, não quero mais saber de futebol. Pra mim, acabou.
- Eu também, se alguém me vier falar desse esporte, é capaz de eu vomitar na cara da pessoa.
- Esse assunto me dá nojo também. Ainda mais depois que quase morri após o nosso rebaixamento para a série B.
- Ah é? O que aconteceu?
- Por causa daquele jogo contra Grêmio, perdi a fome, a vontade de viver, sabe? Fiquei três dias sem comer e beber, fechado no meu quarto, sem sair da cama. Minha família teve que me arrastar pra um hospital, para que eu recebesse alimentação através de soro na veia. Só voltei a comer ontem. Só ontem!
- Eu fui mais prático e radical. Logo que acabou o jogo, eu fui direto lá pra despensa de casa, louco pra tomar um porre de raticida. Eu ia acabar com tudo ali mesmo, sem frescura. Mas a minha esposa agiu mais rápido, escondendo o frasco do veneno, pouco antes do juiz apitar o fim do jogo.
- Que azar, hein? Mas e agora? O que você vai fazer com essa tatuagem enorme nas suas costas, com a imagem do Tevez dançando a cumbia, escrito embaixo “Timão - Rumo ao Mundial de 2007 e 2008”?
- Ah, nem pensei ainda. Sei lá… Mas e você? Não se arrependeu de ter batizado o seu filho recém-nascido de Carlitos Vampeta da Silva?
- Já subornei o cara lá do cartório. Mudei o nome do menino. Ele agora se chama Tiger Woods da Silva.
- Tiger Woods? Quem é esse cara?
- É um dos maiores jogadores de golfe da atualidade. Bate um bolão. Tem que ver. Depois desse último domingo, futebol não existe mais pra mim. O negócio agora é golfe! Já disse, não quero saber de ninguém mais comentando sobre futebol perto de mim.
- Nem eu… se alguém vier com esse assunto, dou uma de Kia Joorabchian. Finjo que não entendo nada, não sei de nada… Mas e o resto, como vai? A sua mulher, as crianças…
- Vai tudo muito bem. Tão bem quanto a defesa do São Paulo. O Marcelinho Sócrates já está começando a andar, tem que ver. E você? Alguma novidade?
- O meu emprego anda pior que o América do Rio Grande do Norte. Tá um festival de cartão vermelho lá na empresa. Meio mundo sendo demitido. Você não faz idéia do tanto de problemas que eu tenho que driblar lá no dia-a-dia, pra escapar do rebaixamento.
- Você vai sair dessa, te conheço. Afinal, você é craque no que faz. Se vira melhor que um Rogério Ceni, tanto na defesa quanto no ataque!
- Pois é… espero… o negócio é tocar a bola pra frente… Falando nisso, nem aquele joguinho das quartas-feiras você vai jogar mais?
- Tá doido? Já disse, futebol morreu pra mim. E nem me comece a falar sobre esse esporte, por favor. Nem se for pra comentar sobre pelada… Pelada, só se for de golfe!
- Pô, desculpa aí… bola fora…
- Concordo… gol contra…