FIAPO DE JACA

August 31, 2007

QUESTÃO DE IMAGEM


- Alô?
- Alô, Juju… Ainda lembra de mim?
- Ah, Carlinhos, que pergunta! Claro que sim, né? Afinal, você foi meu namorado por quatro anos…
- Sei lá… Você estava com tanta raiva de mim naquela nossa última conversa, mês retrasado… Eu imaginava que tivesse ainda um certo rancor da sua parte.
- Olha, confesso que eu quis te matar naquela semana em que você me deu o pé na bunda…
- Peraí Juju… não foi bem assim, não foi bem um “pé na bunda”…
- Como não foi, Carlinhos? Do nada, você veio me dispensando. Se isso não for um pé-na-bunda, não sei de mais nada.
- Ok.. Tudo bem. Mas sei que você está bem agora, não?
- Como assim?
- Já está saindo com outra pessoa…
- Ah, sim. O Albertinho… Ele é uma graça!
- Minha nossa, taí uma coisa que eu jamais imaginaria. Você namorando com o Meleca…
- Um momento, Meleca não, Albertinho!
- Pra mim ele será sempre o Meleca, o bobão, o mala da turma.
- Ih… o que foi? Tá com ciúmes de mim agora, Carlinhos?
- Não, não é isso… Mas, caramba Juju, tanto cara aí no mundo e você vai namorar logo o Meleca?
- Albertinho…
- Meleca, Albertinho, o que for… Mas tinha que ser justo ele, logo depois de mim???
- Qual o problema? Depois que você terminou comigo, voltei a ser solteira, meu bem. Logo, eu fico com quem eu bem quiser.
- Qual o problema??? Eu te digo. Vão pensar por aí que o seu padrão é de caras como o Meleca…
- Albertinho!!!
-  O que for! Então, como você foi minha última namorada, ao verem você com esse cara, logo vão pensar que estou no padrão dele.
- Que bobagem, hein? Francamente, Carlinhos!
- Você merece coisa melhor, Juju! É o seguinte, lembra do Fred, aquele meu amigo que voltou há pouco tempo do MBA feito na Inglaterra?
- Ah sei, aquele que vivem confundindo com o Reinaldo Gianechinni?
- Esse mesmo. Noite passada ele me fez uma confissão, depois de beber umas e outras comigo. Ele me disse que sempre foi apaixonado por você, Juju!!!
- E daí???
- Como e daí??? O Fred é o sonho de qualquer mulher: bonito, gente boa, inteligente, bem articulado, cheio da grana, vice-presidente de uma multinacional! Pôxa vida, se te virem ao lado de um Fred, sabendo que você me namorou antes, certamente vão dizer: “Ah, o padrão dessa moça é muito bom! Então o Carlinhos, antigo namorado dela, era coisa boa!” Entende o que quero dizer?
- Não, não entendo. Olha, uma coisa que eu gostaria que você entendesse: eu amo o Albertinho! AMO!!!
- Ah, Juju, não faz isso comigo! Por favor! Eu te imploro: o Meleca não!!!
- Albertinho!
- Esse cara é podre. É feio de doer, meio careca, baixinho, barrigudo, tem pêlo na orelha, todo desengonçado, vive fazendo piadinhas sem graças… E é o tipo de chato que estraga qualquer roda de conversa! Um mala que não consegue ficar muito tempo em emprego algum, pois não há patrão que o suporte.
- Pra mim, ele é perfeito. Em tudo. Quer um exemplo? Lembra que concordávamos que o ponto G era uma lenda? Então, com o Albertinho, vi que não era lenda…
- Ah, mentira! Não pode ser!
- Orgasmos múltiplos? Outra coisa que você me convenceu ser história pra boi dormir. O Albertinho me convenceu do contrário…
- Olha, tudo bem, agora sei que não fui o homem da sua vida, ok? Eu, humildemente, aceito isso. Mas pensa na minha imagem, por favor, em respeito aos quatro anos que passamos juntos! Dá uma chance pro Fred, vai!!!
- Meu filho, a mulher que tem um Albertinho jamais o trocará por um Fred, ok? Quer saber? Carlinhos, boa sorte na sua vida, tudo de bom etc e tal, mas tenho que desligar, tá bom?
- Tá, tá! Vai, faz isso, continua queimando a sua imagem ao lado do Meleca!
- Albertinho!!!
- MELECA!!!!! MELECA!!! MELECA!!!

(Texto escrito em 17/10/2005)

Tuca Hernandes | Relacionamentos | 9:15 pm | Comente que eu te comento (8)

August 29, 2007

HONRA AO MÉRITO


Na minha nova fase de passageiro de ônibus e metrô, não consigo deixar de escutar certas conversas ao meu redor. Algumas, chegam tão perto de meu ouvido que dá até vontade de participar do papo, dependendo do assunto desenvolvido ali. Banalidades do dia-a-dia, protagonizadas por pessoas comuns, feito eu. Mas sempre fico quieto, como um espectador que está ao redor apenas para observar, jamais interferir. Nessa discrição, acompanhei parte da conversa entre dois rapazes, dias atrás. Um deles não parava de reclamar do patrão, naquela clássica estória do mérito não reconhecido. Ele confidenciou que não agüentava mais o jeito do patrão, que só tinha olhos pra perceber os erros dele. Agora, parabenizá-lo pelos acertos, que eram muitos? Nem uma palavra, jamais. Se pudesse, largaria o emprego. Se pudesse. Quem sabe um dia. “Quem sabe”, ele repetia supirando, enquanto o vagão do metrô chacoalhava.

Nisso, lembrei que já me angustiei muito pelo mesmo motivo, em meu primeiro emprego. Não importava o quanto eu me dedicava, produzindo gotas de suor que quase ninguém via, cumprindo o prometido e um pouco mais, que, ao menor indício de erro, lá vinha a crítica insensível. Com o tempo, fui percebendo o óbvio: quem não sabe se vender, feito uma agência de propaganda ambulante, colocando um baita foco de holofote sobre suas realizações, dança feio. Em um mundo ideal, todos reconheceriam os nossos esforços e relativizariam os erros. Tudo isso sem a necessidade de chamar a atenção. Sincronia de nossas intenções com a mente atenta e compreensiva de quem se beneficou com nossas ações. Maravilha isso, não? Pois é.

Em todos os relacionamentos possíveis, do profissional ao sentimental, estaremos sempre sujeitos a essas crises de mérito, seja na expectativa de recebê-lo, seja na cobrança de alguém. Dar e receber, nunca é o suficiente. Confesse aí, vai. Você, como todo mundo, muitas vezes foi implacável com alguém por causa de um detalhe besta, desses que não comprometem o todo. Sabe aquela poeirinha que a faxineira deixou ali, naquele cantinho que ninguém viu, mas o suficiente pra que você desconsiderasse o resto do ambiente que ficou brilhando? É isso. Sabe aquela palavra mal interpretada que acabou por colocar um fim naquela amizade que até então prometia durar por encarnações? É isso. Detalhes que implodem a aprovação alheia.

Bem, sabendo que o jogo é esse mesmo, tive vontade de falar pro rapaz do metrô que o negócio é seguir em frente, sem essa de depender de medalhas de honra ao mérito ao longo de nossa vida. Se ele era bom mesmo no que fazia, um dia, em algum lugar, reconheceriam isso. Mas não, fiquei quieto, como de hábito. Afinal, melhor mesmo é descobrir tudo isso sozinho, sabendo lidar com essas crises de reconhecimento.  

Eu, por exemplo, ainda não sei. E você?

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E que tal:

  • Jogar Flash Pops? O esquema é o seguinte: pra cada quadrinho, existe o trecho da música de um determinado filme. Pra pontuar, basta você escrever o nome do filme relacionado. Se gostar, jogue também a segunda versão. Na terceira, o desafio é sobre programas de TV.

August 27, 2007

LIGUE DJÁ!


Dessa vez, deixarei meus neurônios descansarem e apenas comentarei sobre o conteúdo de um e-mail que você também já deve ter recebido. O título da mensagem - “Já pensou em emagrecer enquanto dorme?” – já é um prenúncio das bizarrices que ele oferece. Sim é aquela famosa propaganda de um produto capaz de queimar a gordura, principalmente a nível de barriga, composto por 6 ervas rigorosamente selecionadas, designadas para atuarem justamente na hora do sono. Uau!

E, além disso, tal maravilha melhora também o funcionamento do intestino, desintoxica o organismo, enrijece os músculos e a pele. E, antes que eu me esqueça, resultados comprovados!

Num primeiro instante, é comum acharmos objeto de comédia mensagens nesse estilo, tamanho absurdo de seu conteúdo, não acreditando que alguém vá desembolsar algo pra comprar coisas desse naipe. Mas, assim como existe gente que compra o DVD original da Banda Calypso, tem muita gente, mas muita mesmo, que joga fora um certo dinheirinho nessas promessas de milagre. E lucra quem for cara de pau, sabendo que, de 100.000 e-mails enviados, 50 respostas positivas já é um lucro e tanto.

Penso em fazer um teste, enviando um e-mail pra 500.000 pessoas, vendendo algo que prometa a alegria suprema, só pra ver quantos desesperados responderiam, a nível de grana. Quem sabe seja esse o início de meu império. Portanto, não estranhe se você receber nos próximos dias uma mensagem de alguém vendendo ingressos exclusivos pra uma apresentação dos Beatles, com participação especial do Jim Morrison dançando bumba-meu-boi. Aproveite! Cada ingresso só por dérreal!!!!

(Texto escrito em 09/11/2005)

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E que tal:

Tuca Hernandes | Comunicação | 8:37 pm | Comente que eu te comento (5)

August 24, 2007

TUDO VIRTUALMENTE BEM


No início, conforme aprendi nos desenhos animados, bastava o homem dar uma paulada na cabeça da mulher e arrastá-la para a caverna. Mas, para a alegria dos direitos humanos, bem como para o bolso dos donos de danceterias, cinemas e restaurantes, surgiu o flerte, uma versão um pouco mais refinada da dança do acasalamento. Mas como nem todos têm a competência ou a oportunidade de fazer essa dança ao vivo, decidiram inventar caminhos para que a libido não ficasse na mão, literalmente.

Tempos atrás, fiquei sabendo que inventaram um sistema de namoro virtual pelo celular. Por alguns dólares, um serviço proporciona uma namorada de mentirinha pro coitado que não arranja ninguém. Dessa forma, o mesmo a leva aos cinemas, barzinhos, dá flores, chocolates, etc. Mas sem gracinhas, pois ela não tolera nada além de beijinhos. Se o relacionamento estiver firme mesmo, pode resultar até em casamento, estando incluso aí as cobranças da sogra, afinal nem tudo pode ser perfeito. Tudo isso pelo celular, entre mensagens de texto e comandos de voz.

Além da carência e inovações digitais, outra coisa que freqüentemente encontramos em alta é o desemprego. Assim, não me surpreenderia se inventassem um serviço de patrão virtual, o Virtual Boss (título em inglês mesmo, mais sofisticado, féxion). Enquanto ninguém responde ao currículo do cidadão, esse poderia ter a sensação de estar empregado, com o celular dele tocando a cada quinze minutos, cheio de cobranças e lembretes para uma determinada atividade inventada. Tudo em prazos impossíveis de serem cumpridos, como na vida real. Dependendo do desempenho, o cara poderia até ser promovido, resultando num aumento de salário, vide o saldo bancário cada vez mais gordo, num banco perfeito que não existe, é óbvio. Mas seria bom não abusar da confiança, uma vez que o Virtual Boss pode demitir também, e da forma mais humilhante: por uma breve mensagem de texto.

Bem, teríamos então a namorada e o emprego virtuais. Ótimo. Mas, depois de um tempo, sabe como é, não seria o caso de pensar em ter filhos? E se… Ok, ok, paro por aqui.

(Texto escrito em 02/03/2005)

August 22, 2007

QUEM? EU?


Não lembro o nome dela. Segundo meus amigos, devido aos braços cheios de pêlos sem clareamento, ela era a Chewbacca, homenagem àquele personagem peludo de Guerra nas Estrelas. Foi assim durante vários anos, de nada adiantava mencionar o nome verdadeiro da coitada. “Quem? Como? Ah, sei, a Chewbacca!” E até hoje confesso ter pena dela. Não devido ao apelido em si. Mas pelo fato dela nunca ter descoberto esse outro “nome”. Sem saber, ela foi Chewbacca durante todo esse tempo. Ou será que ela descobriu em algum momento, devido alguma frase perdida por aí? Mistério.

Na mente e língua de algumas pessoas, todos nós existimos, pra sempre, de uma forma pela qual não seria agradável que chegasse ao nosso conhecimento. Nesse momento, sem que você saiba, talvez estejam lhe relacionando com algum personagem ou objeto medonho. Talvez seu nome seja outro. Mas tenha calma, paciência, isso acontece, afinal você já deve ter feito o mesmo com outras pessoas. E muitos apelidos são tão particulares que existem apenas pra gente, na nossa idéia. Criamos e não compartilhamos com ninguém. Como aconteceu com a Cocô, uma mulher absurdamente antipática e arrogante, com a qual eu tinha que conviver em um mesmo ambiente de trabalho, tempos atrás. “Olha lá a Cocô…”, eu dizia pra mim mesmo, sempre que a avistava. E só eu sabia que ela não era a Sílvia, mas sim a intragável e única Cocô.

Porém, se a sua boa auto-estima e um baixo grau de paranóia deixaram que você conseguisse ler até aqui, surpresa. Secretamente também, pode ser que atualmente alguém esteja colocando você em um pódio particular, lhe rebatizando com um nome ou termo de causar inveja aos outros. “Gracinha”, “Lindinho”, Lindinha”. Não convenci? Afinal, jamais que alguém criaria termos carinhosos em sua homenagem? Então, é melhor rever seus conceitos, pois tem muita gente que discordaria de você. De bico calado, infelizmente.

Mas não tem jeito. Sempre quando vejo Guerra nas Estrelas, como dias atrás, acabo me lembrando dela. Quem? A Chewbacca, oras!

(Texto escrito em 16/02/2005)

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E que tal:

Tuca Hernandes | Comportamento, Memórias | 11:32 pm | Comente que eu te comento (3)

August 20, 2007

SINAL VERMELHO


“Linda”. Foi a primeira palavra que me veio à mente quando a vi no carro ao lado. Ela dirigia um desses modelos luxuosos, que poderia constar perfeitamente no cenário de uma dessas propagandas de produtos sofisticados e intocáveis, que passam no intervalo do Jornal Nacional. Ah, aqueles cabelos, provavelmente tratados uma vez por semana em um cabeleireiro de elite, com o preço de um salário mínimo o corte. Se eu pudesse descer de meu carro e ir ao lado da janela dela, certamente eu sentiria um perfume que ficaria na memória sabe-se lá até quando. Agora, imaginem a sensação de estar olhando pra um rosto lindo. Sim, foi o que senti também. Ela, bem ali, ao meu lado, naquele farol.

Só pude vê-la do decote pra cima. Mas, pelo jeito, deveria ter um corpo sem necessidade de efeitos especiais na foto para sair na capa de uma Playboy. Sem plástica ou Photoshop. Tudo lindo ao natural. Fruto de uma genética abençoada, muita academia e cuidado com a alimentação, vide cada gole gracioso que ela dava naquela lata de Coca Light. E aquele porte elegante então, nem me fale. Parecia uma herdeira educada no eixo Paris-Roma-Nova York, seja estudando mesmo, ou desfilando pelas passarelas afora. Sim, talvez fale fluentemente algumas línguas, of course, capisce?

E então veio o próximo farol. E o desmontar do castelo, tsunami sobre os dois parágrafos acima. Acabada a Coca Light, sem mais uma gota pra molhar a língua, ela simplesmente joga a lata vazia janela afora, na rua. Como se o mundo fora do carro dela fosse uma imensa lixeira a céu aberto, uma privada onde pudesse despejar qualquer coisa, inclusive a opinião de quem achasse tudo isso uma tremenda falta de caráter e educação. Como eu.

Pensando bem, aquele carro deveria ser de algum amante traficante dela, que a financiava em todos os luxos, como os cortes de cabelos milionários, a academia, bem como as inúmeras cirúrgias plásticas.  E, por mais que tentasse disfarçar com perfumes caros, deveria ter um leve e triste cheiro de enxofre a acompanhá-la. Na boca com dentadura, um mau hálito de espantar gambá, por mais que carregasse drops na bolsa que roubou em alguma lojinha de quinta categoria. E toda vez que tem uma de suas crises de gases, talvez diga, com sua voz fanha: “Ai, mas que pobrema, viu?”

Enfim, logo que ela entrou na rua ao lado, e eu segui em frente, uma última palavra me veio à mente: “Bruaca”.

(Texto escrito em 08/02/2005)

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E que tal:

Tuca Hernandes | Comportamento | 10:25 pm | Comente que eu te comento (12)

August 17, 2007

ESCRITO NAS ESTRELAS

- Meu bem… enfim, Paris!!! Aqui estamos nós!
- Ai, fofucho… tô encantada… a primavera aqui realmente é um sonho! Um charme! Até você fica mais lindo ainda!!! Ah, mon amour…. Você é perfeito, sabia?
- Meu amorzinho, isso é só o começo… Semana que vem, temos Viena…
- Sim, sim!! Eu e você em Viena… Que maravilha!!!
- Depois, daqui a seis 6 meses… o que teremos mesmo?? Hein? Hein?
- O dia mais feliz da minha vida, onde vou me casar com o melhor homem do mundo!!! Você, você, você!!!
- Você é perfeita, sabia?
- E você, mais do que perfeito!! Nasceu pra mim… Estava escrito nas estrelas… Olhe só como nossos signos combinam: eu, de sagitário, e você, de áries… inclusive os ascendentes…
- Pois é…
- Que cara é essa, benzinho?? Não concorda?
- Bem, veja só….
- Sagitário e áries fazem, se não o melhor, um dos melhores pares que pode haver! Você sabe disso! Vivo dizendo isso pra você… Fofuchinho, o nosso amor está escrito nas estrelas! Eternamente, nas estrelas!
- Olhe minha princesa… já que vamos nos casar, tenho que confessar uma coisa…
- Confissão? O quê seria? Que você sabe também que não há estrela que brilhe mais que o nosso amor? Meu lindo!!
- É, também… Mas é o seguinte… Eu não sou de áries…
- O QUÊ??? Como assim? Você nasceu no dia vinte e dois de março! Tá na sua identidade, é de áries, sim! Tá em tudo quanto é documento seu. Até na sua carteirinha do fã clube do Kenny G…
- Isso… mas eu nasci, mesmo, no dia dezoito de março… Na época, como meu pai estava viajando, ele só pôde me registrar quatro dias depois… Portanto, eu sou de….
- Você é de… de… AI, MINHA NOSSA!! VOCÊ É DE PEIXES!! NÃO! NÃO!! E NÃO!!!
- Isso, sou um pisciano legítimo… inclusive no ascendente…
- Não pode ser! O signo que mais odeio!!! Tire as mãos de mim, agora! Monstro!!! Por que você não me contou isso antes??
- É que eu sabia que você dava muita importância pra isso, pôxa vida… Fiquei com medo que você descobrisse que eu fosse de peixes… Ficou brava só por causa disso? Só isso??
- Só isso??? Você ainda fala “SÓ ISSO”??? Você é pisciano!! Nunca que um pisciano e uma sagitariana darão certo nessa vida!!! Jamais! Mais impossível que Romeu e Julieta!!!
- Vamos esquecer isso tudo, meu bem! Afinal, estamos em Paris! Paris! Vamos nos casar daqui a seis meses, e sabe por quê? Por que nos damos muito bem, em tudo!
- Casamento? Que casamento??? Ficou maluco??? Acha que vou me casar com um pisciano? Pirou, né? Não fico nessa cidade nem mais um minuto com você! Dá licença, que vou pro hotel agora mesmo, fazer minhas malas e ir direto pro aeroporto… Sai da minha frente! Desapareça da minha vida!
- Mas meu bem…e Viena??? Se… se você se for, eu acabo com a minha vida! Isso! Eu me jogo dessa ponte! Me afogo no rio Sena!!!
- Olha aí. Olha aí… Lá vem você com esses draminhas… Típico de piscianos… Eu, hein?

(Texto escrito em 26/01/2005 - astrologicamente revisado pela minha namorada, Patrícia)

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E que tal:

  • Desejar uma diarréia bem sofrida e irreversível pro cara que roubou a minha moto ontem?
  • Torcer para que o ladrão da minha moto se dê tão mal quanto o mocinho desse vídeo aqui?
  • Fazer pensamento positivo para que a minha moto seja encontrada, intacta?
Tuca Hernandes | Relacionamentos | 7:18 pm | Comente que eu te comento (3)

August 14, 2007

PRA LER NO BANHEIRO

Vou confessar algo aqui pra vocês, uma coisa meio óbvia até. Pretendo, sabe-se lá quando, publicar um livro. O conteúdo virá dos textos daqui mesmo, novidade zero. “Mas, e daí?”, vocês podem estar se perguntando. Ok, eu sei que um livro não torna ninguém um escritor. Mas, acreditem, o meu único interesse nisso tudo é a vontade de passar a ser lido no banheiro também. Isso mesmo. Sinceramente, eu acho meio sem graça essa coisa de publicar textos apenas na internet. Limitante demais. Pra mim, o gostoso mesmo é poder ler alguma coisa no sagrado momento do trono. Difícil encontrar alguém que não compartilhe dessa preferência. Sendo assim, se algum dia eu puder disponibilizar meus textos no papel, passarei a fazer parte dessa nobre estirpe: dos que são levados pro banheiro, literariamente falando, é claro.

Eu até já imagino a estratégia de divulgação do meu livro, que vai se chamar - oh, não me diga! - “Fiapo de Jaca”. Funcionaria do seguinte modo: você compra meia dúzia de papéis higiênicos e ganha, como brinde, inteiramente grátis, sem custo adicional algum, na faixa, um exemplar do “Fiapo de Jaca”. Legal, não? Ou seja, seria uma maneira de dizer que lê-lo no banheiro seria mais apropriado. Eu, como autor, não ficaria nem um pouco ofendido em saber que meu livro repousaria mais na pia ao lado da privada do que em uma estante na sala, ao lado de figuras intimidadoras como Machado de Assis, James Joyce, Dostoiévski, Fernando Pessoa e outros tantos. Se um exemplar meu ficar bem detonadinho depois de dias, é sinal de que cumpriu o seu propósito: de tornar mais prazerosas aquelas estadias na privada. Alívio patrocinado por mim. Uma honra.

É capaz de alguém alegar que eu poderia ser lido através de um notebook também. Mas, convenhamos, quem teria paciência pra isso? De, depois de dar a descarga, tirar aquele computadorzinho do banheiro antes de entrar no banho? Muito trabalhoso e desconfortável, admitam, vai. A não ser que o doido não se importe com a umidade extrema do vapor do banho ao redor do notebook. Nesse sentido, um livro é imbatível. Alguns mais maldosos e engraçadinhos diriam que, na falta de papel higiênico, o meu livro estaria ali, disponível pra emergências feito essa. Afinal, justificariam, pelo menos uma utilidade realmente relevante pra minha obra, ora essa. “Obrar“, aliás, é um termo usado por alguns pra designar o número dois - ou cagada mesmo, se você for desses que não desmaiam frente a termos chulos.

Então é isso, a minha ambição máxima pra essa vida: uma obra pro obrar.

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E que tal:

Tuca Hernandes | Meu Umbigo, Literatura | 1:05 am | Comente que eu te comento (4)

August 10, 2007

PRIMEIROS BEIJOS

Ricardo e Cecília

Há quantos anos ele esperara por aquilo? Quase sete. Viveu uma expectativa absurda durante esse tempo todo, agüentando vê-la com outros homens, nunca deixando de pensar que o dia dele chegaria. E o dia, numa noite, havia chegado. Aconteceu o tão sonhado beijo com a musa dele, que até então insistia em sinalizar apenas amizade. Tudo bem que ele teve a sensação de estar lambendo um copo cheio de whisky, tamanho o exagero com que ela bebera naquela noite. Pouco antes, percebera que, se ela assoprasse alguma ponta de fogo, decerto que serviria de lança chamas. Hálito forte de bebida, e daí? O beijo enfim existiu, era o que importava. Língua com língua. Mas, um momento. Ela se lembraria do que ocorrera no dia seguinte? Não, ele a conhecia. Esqueceria de tudo. Ela perguntaria pra alguém se fizera besteira na noite anterior. Quando revelassem que ele fora a besteira da vez, como será que ela reagiria? Poria as mãos na cabeça, envergonhada, preferindo estar morta? Ou daria um sorriso, aliviada, esperando que a besteira ligasse, convidando-a pra reconstituir os fatos?

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Fernando e Sônia

Como ele suspeitara na fase do flerte, o beijo mais do que aguardado entre os dois foi diferente. Um pouco além do especial. Tão bom que o tornava inclassificável. Antes do segundo beijo, naquele intervalo preenchido por olhares de cumplicidade, fosse ele um poeta, ele diria que o toque dos lábios dela fora um despertador pra um mundo terno, acordando-o pro amor, antes tão distante. Fosse ele um poeta, ele teria revelado que aquele beijo trouxera um jardim instantâneo ao redor dos dois, flores delicadas os unindo. Mas, como ele achava poesia coisa de viado, preferiu agarrá-la pra um segundo beijo, antes que ela conseguisse dizer que ele era tudo que sempre quis.

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Adriana e Bruno

No instante em que a língua dos dois se encontrou, ela teve certeza que aquele seria o grande amor da vida dela. Já não se importava com o discurso que ele fizera minutos antes, naquele barzinho, dizendo que, no momento, ele queria mais era aproveitar a vida, sem intenção alguma de se prender a alguém. Ela tinha certeza que aquele beijo mudaria toda a visão que até então ele tinha do amor. Nunca mais outras, de agora em diante, só ela, teve certeza. Foi especial. Impossível ele não ter sentido o mesmo. Meia hora depois de uma série de beijos, ela teve vontade de chamar a atenção dele, que não parava de olhar pra bunda de toda e qualquer mulher que passava ao lado. Não, melhor ficar quieta, concluiu. Pra ela, era charme dele aquilo, tentando se passar por cafajeste. No fundo, queria esconder que a amava, ora essa. Mas ela jurou pra si mesma que o consertaria. Enquanto isso, anjos suspiravam, inconformados. Quase chorando.

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Paula e Carlos

Era um sentimento estranho, conflitante. Ao mesmo tempo, havia a vontade de beijá-lo ainda mais e dar uns tapas na cara dele. Por que ele não se empenhara um pouco mais pra conquistá-la desde quando se conheceram, anos atrás? O beijo dele era perfeito. Raro de tão bom. Cinco estrelas. Logo ele, que aparentava não ter o mínimo jeito de fazer aquilo direito. Um desastre certo. Mas, por conta de uma carência desesperadora, resolveu dar uma chance a ele, que mais uma vez tentava algo com ela. Foi na base do “ok, já que tem tu, vai tu mesmo”. Seria apenas um detalhe sem importância na vida dela. Algo pra cumprir tabela. No entanto, ela encontrara aquilo. E agora???? Não tinha planejado se apaixonar por ele. Justo ele. E agora, não tinha mais ninguém. Muito menos o infeliz que fora o responsável pela carência daquela noite. E que tinha um beijo apenas ok, três estrelas.

(Texto escrito em 08/04/2006)

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E que tal:

Tuca Hernandes | Relacionamentos | 12:35 am | Comente que eu te comento (4)

August 8, 2007

KING KONG

Ter um julgamento positivo sobre nós mesmos é saudável. No entanto, convém lembrar que vivemos numa sociedade onde as opiniões divergem. Dessa forma, nem sempre aquilo que nos encanta ao espelho comove igualmente o estranho ao lado. Podemos até desconfiar que existe ouro em nosso umbigo, mas cabe aos outros reconhecerem e festejarem isso. Da nossa parte, resta deixarmos a possibilidade que nos descubram, sendo que os elogios, se merecidos, aparecerão. Não defendo aqui o uso quase que obsessivo da humildade, a não ser nos casos dos que já treinam em vida a possibilidade de virarem santos um dia, com a benção do Vaticano e da CNN. Defendo o bom e velho semancol: não adianta sermos craques na autopromoção se o conteúdo não corresponde ao que a propaganda se propõe.

Não adianta, por exemplo, a feiosinha ficar repetindo mantras de auto-ajuda (“Eu sou linda! Eu sou linda!”) no intuito de ficar fisicamente tão bela quanto uma Gisele Bündchen. Nesses casos, algumas chegam a acreditar tanto no seu potencial de Penélope Charmosa que fazem até aqueles books de modelo, na esperança de que algum milagreiro enfim as descubram como a nova top model, apesar de ninguém jamais ter sugerido algo nesse sentido. Bem, exceto os caras que só querem levá-las pra cama. Outro caso clássico é o das pessoas que acham que nasceram pra cantar. No videokê, ficam empolgados ao ganharem avisos do tipo “Parabéns, você já é quase um profissional!!!”, acreditando que aquela máquina, como uma esfinge do mundo artístico, vive dando a mensagem subliminar que faltava nessa vida, a dica da vocação real da pessoa: cantar. E não se importam com a indiferença do pessoal ao redor, que não viu nada demais naquilo. Um ou outro elogio, tudo bem. Mas pra essas coisas, elogio de bêbado e de pretendente não conta.

A desconfiança de sermos bom em algo é comum a todo e qualquer ser humano. O problema é a forma como alguns reagem a um elogiozinho besta, solitário, sobre aquela desconfiança. Quem tem bom senso, consumidor leal de semancol, espera outros carimbos de aprovação pra realmente vir a acreditar que manda bem naquilo, passando daí a se dedicar mais, se aprimorar, vindo até a propagandear o selo de aprovação da multidão. Outros, já saem acreditando que são gênios escondidos, até então arquivados, e que o mundo precisa urgentemente ter o privilégio de conhecê-los. Daí, nascem os pagadores de mico. Alguns, de confiança tão precoce, sem conteúdo, que seria injusto dizer que pagam mico. Pagam um King Kong mesmo.

(Texto escrito em 04/05/2006)

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E que tal:

  • Esperar eu arranjar um tempo decente pra escrever algo novo por aqui? Enquanto isso, vou republicando textos do meu blog antigo, que ainda não estavam por aqui.
Tuca Hernandes | Comportamento | 1:16 am | Comente que eu te comento (2)
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