TELEVISÃO DE CACHORRO
Conforme a tradição de todos os sábados, os três, vinte e poucos anos, foram ao barzinho da moda atrás da mulherada:
- Olha essa! Olha essa!
- Quem? A loira ou a morena?
- A moreninha, é claro.
- Moreninha? Morenaça!
- A outra eu encararia.
- Eu também. Demorou!
- Que coisinha…
- Com um corpinho desse lá em casa, rapaz. Nem te digo…
- Bem que ela poderia chegar aqui na mesa, pegar na minha mão e desaparecer comigo por aí…
- Que loucura, que loucura… Isso sim que é mulher.
- Nove e meio pra ela!
- Nove e meio?
- É isso aí. Dez não, pra não ficar convencida demais.
- E eu tô ligando? É DEZ com louvor. Pode passar a régua! Ei! E essa? E ESSA?
- CARAAAAALHO!!!!
- Nassassinhora!!!!
- Mas que saúde, hein???
- Rapaz, me segura, vou ter um troço.
- Ah, eu já tô tendo um. Morro agora, mas morro feliz. Ô DELÍCIA!
- Vê só. Ela tem jeito de ser daquelas bem perfumadinhas.
- Se tem, delicadinha como só ela…
- Rapaz, uma coisinha dessa, mais um perfuminho… É um perigo!
- Pois é. Um sonho, olha aí. Bem na nossa frente. Não me conformo.
- Não se conforma com o quê?
- Sei lá, não me conformo. Olha lá. OLHA LÁ!
- Calma, Cidão. Não vai chorar como naquele dia, vai?
- Só vou aplaudir…
- Pô, Cidão, pega leve aí… ficar dando bandeira… Ai minha nossa, minha nossa!! Olhem só para o monumento que vem vindo à direita de vocês!
- Onde? Onde?
- Olha e disfarça, pô.
- VIXEEEE!!!!
- Meu Deus! Pára tudo!
- Mas vai ser gostosa assim lá em casa, minha filha!
- Ai, ai…
- Não é possível. Essa aí tem que vir com manual de instruções junto.
- Sabem o que eu faria com uma dessa?
- Eu faria um poema…
- O QUÊ????
- Qual o problema?
- Poema, Cesinha?! POEMA?!
- Ah, faça-me o favor, Cesinha!!! Francamente. Um corpão desses, e você me diz “poema”??? Francamente!!!
- Comigo seria outro papo… hehehe… Vocês nem imaginam… Aliás, nem queiram imaginar!!
- Você eu não sei, mas, antes de mais nada, eu pegaria ela assim, depois, assim, e, pra finalizar, bem assim, ó!
- Mas, peraí. Isso não é anti-higiênico?
- Com ela? De modo algum!
- Com ela não tem dessas não.
- Apoiado. Pode tudo. Sem limites.
- Rapaziada, sem limites é essa gracinha que acabou de se levantar na mesa aqui ao lado.
- Alguém aí me belisca pra ver se não é sonho!
- Ai, ai, eu daria tudo para ser esse vestidinho dela.
- E eu, as marquinhas do biquíni…
- Eu não, prefiro ser o namorado dela.
- O quê? Como você sabe que ela tem namorado?
- Ela e o cara aí do lado estavam de mãos dadas o tempo todo.
- E se for irmão?
- E desde quando irmão dá um chupão na irmã?
- O quê? Esse babaca beijou aquela boquinha linda? Não me conformo. Olha a cara de trouxa que ele tem. Faça-me o favor!!!
- Calma, Cidão, calma!
- Pois é, não muda nunca. Mulher gostosinha, bonitinha, nunca fica sozinha. Tem sempre um cara ao lado.
- Pois é, um babaca.
- Um otário…
- E por que nunca é a gente?
- Hein?
- Pergunta besta.
- É, cretina…
- Acontece que toda balada é a mesma coisa, da gente sempre indo embora sozinho e…
- OPA! Pára tudo! Ah, não! AH, NÃO! Olha ali! Acabou de cair uma DEUSA do céu, olha lá!
- Nooossaaa!!!!
- Viiiiiiiiixe Mariaaaaaa!!!
- PU-TA-QUE-PA-RIU!!!!!
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E que tal:
- Ler “Padaria Brasil“, texto escrito pelo Branco Leone?
- Ouvir a linda-e-triste “Won’t You Come Again”, música da cantora “Susie Suh“?
- Ver um comercial engraçado?
