Ciente da necessidade de cooperar com a conscientização sexual de nossa sociedade, resolvi abrir espaço aqui no blog para o Doutor Ygor Langruber. Para quem ainda não o conhece, ele é um dos sexólogos mais respeitados de nossa era, responsável, dentre outros feitos, pela desmitificação do homem lésbico, através de um estudo comparativo com amebas da Moldávia, sua terra natal. Ele descobriu o meu blog por acaso, quando tentava procurar pelo Google algumas informações sobre a jaca que, segundo algumas lendas indígenas, teria um poder afrodisíaco avassalador quando ingerida com cutículas de curupiras metrossexuais. Ao perceber que meus leitores eram pessoas de mente aberta, ele me pediu a gentileza de abrir um espaço aqui de perguntas e respostas relacionadas a sua área, de sexologia neo-contemporânea. Pra começar, seguem abaixo dois casos, respondidos com a inquestionável sabedoria do pesquisador moldaviano:
“Doutor Langruber, desde que me entendo como gente, sempre fui gay. Jamais tive vergonha dessa minha condição, muito pelo contrário. Me orgulho bastante de ser quem eu sou. Nos meus quarenta e dois anos de vida, nunca tive dúvidas quanto a minha sexualidade. Sou muito bem resolvido, algo que o meu atual namorado pode confirmar. Mas uma coisa me vem incomodando ultimamente: a minha nova secretária. Toda vez que ela entra na minha sala, me invade um estranho e inédito desejo de rasgar a roupa dela e fazê-la mulher ali mesmo, em cima da minha mesa. O pior é que pareço estar sendo correspondido, uma vez que ela vive me convidando pra tomar um cafezinho no apartamento dela. Não sei por quanto tempo agüentarei viver assim, reprimindo esse desejo. Às vezes, tenho vontade de sumir, fugir por aí sem rumo, só de pensar na possibilidade de ir pra cama com uma mulher. Com base em tudo isso, Dr Langruber, pergunto: será que estou com algum desvio sexual? Há algum tratamento para evitar que eu caia na heterossexualidade? Me ajude!”
(Beto Sensível – Florianópolis, SC)
Caro Beto, o processo pelo qual você está passando pode acontecer com muitos homossexuais convictos, feito você. Nós, da sexologia neo-moldaviana, costumamos chamar isso de “Conduta Reversa Genicoflexória”. Como acontece em 99,45% dos casos, temos aí uma condição na qual a sua secretária assume – pra você, inconscientemente - o papel de sua mãe travestida de George Clooney, fazendo com que sua percepção entenda que ela lhe trará os benefícios de uma saudável relação homoerótica. Como se vê, nada de anormal acontece com você. No mais, banhos frios, muita masturbação, e jantares a luz de velas com seu namorado podem ajudá-lo nesse processo de volta ao que você sempre foi. Em caso de maiores dificuldades, demita a sua secretária.
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“Olá, Doutor Langruber. Admiro muito o seu trabalho, que acredito ser de extrema importância pra resolver os problemas sexuais de muitas pessoas mundo afora. Espero então que você resolva o meu. A questão é justamente a ausência de problemas nesse sentido. Isso mesmo, doutor. Em quinze anos de casamento, eu e minha mulher jamais tivemos dificuldades para viver uma vida sexual saudável e sem tabus. Nunca precisamos recorrer a métodos alternativos para esquentar a nossa relação, como fantasias, vídeos pornôs, amantes, etc. Continuamos com um tesão mútuo natural, que resistiu a tudo aquilo que os outros casais julgam ser a razão da decadência de suas vidas sexuais. Por causa disso, eu e minha esposa precisamos mentir pros nossos casais de amigos, ao falarmos que somos como eles: desinteressados pelo parceiro por causa de inúmeros motivos como filhos, idade, trabalho, televisão, rotina, etc. Mentimos para criar uma identificação social, de forma que continuemos recebendo convites para os churrascos de confraternização que tanto nos agradam. Como estamos cansados de dissimular dizendo que, por exemplo, preferimos assistir Faustão a transar com a “coisa ao lado”, pedimos seu auxílio, Dr Langruber, para que nos dê algumas dicas que façam a nossa vida sexual decair. Queremos ter problemas sexuais. Queremos ser adultos normais, feito nossos amigos. Não seres de outro planeta, como acontece hoje em dia. Obrigado.”
(Anormal Bizarro – São Paulo, SP)
Querido Anormal, na cultura ocidental, oriental, e setentrional, é tradição que a vida sexual dos casais decaia após alguns anos de acasalamento casamento. Faz parte da etiqueta social. Quem rompe com esse padrão, como é o seu caso e o de sua esposa, acaba por ficar à margem da sociedade, resultando no uso de máscaras para que a sociedade os aceite. Sendo assim, é compreensível a angústia pela qual vocês passam. Se em quinze anos de casamento vocês continuam tão ativos sexualmente quanto no começo do relacionamento, resistindo as inúmeras dificuldades que a vida em comum os fez passar nesse tempo, lamento dizer que vocês estão condenados a viver o resto de seus dias dessa forma, loucos de tesão um pelo outro. Mesmo assim, caso seus amigos e os churrascos tenham tanta importância assim, avalie as duas únicas saídas que talvez venham a resolver o problema. A primeira, mais simples, é vocês se matarem. A outra, um pouco mais trabalhosa, é vocês tornarem-se fiéis da igreja responsável por esse fórum aqui.